O Ibovespa (IBOV) continua ‘barato’, na avaliação do Inter. Na última semana, o banco elevou a projeção do principal índice da bolsa brasileira de 204 mil para 240 mil pontos, em meio à volatilidade das ações diante do período eleitoral. A nova estimativa prevê uma valorização potencial de 17% sobre os níveis atuais. Na última sexta-feira (16), o IBOV encerrou as negociações aos 205.430 pontos. Nas contas do analista Rafael Winalda, a forte valorização da Bolsa após o resultado do primeiro turno das eleições ainda não levou o índice à média histórica – em outras palavras, o IBOV continua descontado e, segundo ele, “não é hora de vender“. O IBOV disparou 8,8% na semana seguinte do primeiro turno das eleições presidenciais com a surpresa de Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo a maior alta semana após uma votação desde 1994. Em dólares, a valorização foi de cerca de 12% no período. “Na média histórica, o Ibovespa negocia perto de 11 vezes o lucro projetado (P/L). Hoje, mesmo depois de toda a alta, estamos pouco acima de 10 vezes. Ou seja, a bolsa subiu, mas o múltiplo ainda não voltou sequer para a média”, avalia Winalda. “Vale lembrar também de onde partimos: nos últimos anos, o índice chegou a negociar em níveis bem deprimidos, perto de 7 a 8 vezes, e o que vimos em 2026 foi muito mais uma recuperação do que um exagero”, pondera ele. Para Winalda, o ponto de atenção continua sendo o cenário eleitoral. “A conta pressupõe que a leitura atual do mercado se confirme, e é aí que mora o principal risco para a tese”, diz. Quando o IBOV fica caro? Nas contas do Inter, a média histórica longa aponta para um múltiplo de 11 vezes P/L, ainda ‘descontado’ em relação aos principais pares emergentes. A Índia, por exemplo, negocia perto de 21 vezes o lucro projetado, em média. Já Taiwan, México e Indonésia giram em torno de 15 a 16 vezes, e até a Austrália, um mercado desenvolvido e muito ligado a commodities, como o nosso, tem média próxima de 15 vezes. “Hoje, negociando perto de 10 vezes, a bolsa brasileira está abaixo do seu histórico e muito abaixo do que pares emergentes costumam carregar. Não precisa de um cenário heroico para enxergar espaço: basta que parte desse desconto estrutural diminua”, avalia Rafael Winalda. Ele, porém, destaca que a média histórica do IBOV é resultado de décadas de juros estruturalmente altos, crises fiscais, inflação elevada e choques políticos frequentes. “Tudo isso comprime o quanto o investidor aceita pagar pelo lucro das empresas, e esse desconto acabou virando o ‘normal’ nas estatísticas.”
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