Um levantamento inédito elaborado pelo escritório Raphael Souza Advocacia analisou 112 petições iniciais de processos sobre fraudes com criptomoedas no Brasil e identificou 24 casos do golpe conhecido como abate de porcos (pig butchering). Desse recorte de vítimas que sofreram a chamada engorda financeira antes do bloqueio dos saldos, onze ações envolvem abordagens românticas, três ficam na fronteira com falsas investidoras e dez seguem o mesmo roteiro, mas sem apelo afetivo. Nos onze processos classificados na categoria amorosa, todos os clientes lesados pelas quadrilhas são homens e somam um prejuízo estimado em US$ 500 mil (mais de R$ 2,6 milhões). Oito desses investidores enganados são casados, dois declararam estado civil solteiro e um informou ser divorciado nos documentos enviados ao Poder Judiciário. As profissões registradas nas ações mostram que o esquema atinge diferentes carreiras, com três servidores públicos, dois trabalhadores do setor de transporte e representantes das áreas de engenharia, saúde, indústria, vendas, finanças e empresariado. Enquanto quatro homens perderam entre US$ 10 mil e US$ 30 mil e outros quatro ficaram na faixa de US$ 30 mil a US$ 100 mil, um único engenheiro casado amargou um rombo situado entre US$ 100 mil e US$ 500 mil. Abordagem no Telegram com perfis asiáticos e falso tio de Wall Street Pelos dados compilados na base de processos de 2025 e 2026, oito das onze abordagens românticas começaram em conversas casuais no aplicativo Telegram, ao lado de um contato inicial no Instagram, um no WhatsApp e outro sem rede especificada. Cinco vítimas relataram que as golpistas transferiram o bate-papo para o WhatsApp após os primeiros dias de interação a fim de afastar o diálogo de ferramentas onde os perfis costumam ser denunciados. Seis petições apontam o uso de identidades femininas com traços orientais ou origem asiática sob nomes como Amelia, Emilia, Clara, Daisy e Chun Kai, personagem que também assinava como Emily. Muitas dessas contas falsas exibiam uma rotina de luxo em academias ou lojas de grife e mantinham contato diário sobre a vida pessoal do alvo durante períodos que variaram de duas semanas a três meses. Quando a confiança estava consolidada, a conversa migrava para supostos ganhos com criptoativos em plataformas recomendadas pela própria interlocutora ou atribuídas a parentes fictícios em quatro episódios. Tais mentores familiares eram apresentados às vítimas como um tio analista de Wall Street com vinte anos de experiência no mercado ou um especialista apoiado por uma equipe de 28 profissionais. Compra de USDT via Pix, cobrança de taxas falsas e sinais de alerta Orientados passo a passo pelas quadrilhas, os brasileiros usavam o sistema Pix para comprar a stablecoin USDT (e em casos pontuais Ethereum) em corretoras reais antes de transferir os tokens para carteiras externas. Vários endereços eletrônicos falsos exibiam lucros simulados na tela para estimular novos aportes, o que levou dois homens casados das áreas de saúde e finanças a contratarem empréstimos bancários e esgotarem limites de crédito. Logo que o investidor tentava resgatar o montante acumulado nos painéis, o sistema travava o saque e passava a exigir depósitos extras sob a desculpa de taxas de liberação, validação de conta ou tributos internacionais. Investigadores do escritório identificaram que duas carteiras de destino terminaram em contas na corretora HTX e notaram que domínios como bitopbank.com, coinyd.com, brrcc.top, trx.art, cryptoapx.com, gtbitsbr1.com, gtreec.com e upagz.com foram criados poucos meses antes de saírem do ar. Em um dos relatos mais agressivos de chantagem emocional e isolamento contra um empresário solteiro, a golpista proibiu o homem de conversar com amigos e o acusou de arruinar os planos do tio após a recusa em quitar um suposto empréstimo interno. Por fim, diante desse padrão repetido nas ações judiciais, o estudo alerta que nenhuma plataforma legítima cobra impostos antecipados para liberar saques e recomenda desconfiar de estranhos que puxam conversa nas redes sociais antes de sugerir negócios milionários. Raio-X do levantamento sobre o golpe do abate de porcos (variante romântica) (Foto gerada com auxílio da IA) Fonte: Levantamento revela que homens casados são as maiores vítimas do golpe do abate de porcos com criptomoedas no Brasil Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
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