Em desvantagem nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisava nocautear o senador Flávio Bolsonaro (PL) para fazer do debate da TV Band uma alavanca para a virada, mas não foi isso que aconteceu. Depois de cair na cilada de Flávio Bolsonaro no primeiro embate direto, quando foi arrancado do debate de propostas para a troca de acusações de corrupção, foi apenas a 15 minutos do fim do confronto que Lula fez a proposta que poderia ter abreviado os 15 minutos infrutíferos do primeiro bloco: a abertura do sigilo bancário e telefônico de ambos os candidatos. Reveja os principais momentos do debate Com mais domínio de palco, Flávio Bolsonaro falou de maneira mais direta e com uma linguagem mais simples procurando trazer o eleitor para o centro do debate. Seu comportamento, porém, teve o carimbo da assessoria que recebeu do influenciador Pablo Marçal. Ficava andando atrás do adversário enquanto Lula falava, não apenas para prejudicar os cortes da campanha petista, como fazendo provocações e intimidando o presidente. Em grupos de indecisos, sua postura foi vista como arrogante e desrespeitosa. Lula teve seus melhores momentos na saúde pública, flanco bolsonarista por conta da pandemia, que mereceu quase um mea culpa de Flávio em nome do governo do pai. Ao falar do desempenho da economia, porém, Lula vale-se do superávit ao longo de seu governo e das falhas do modelo de privatização da Eletrobras, enquanto Flávio parece mais eficiente ao resumir suas promessas em devolver a carne para a geladeira do eleitor. Flávio fugiu reiteradamente de perguntas, mas ao insistir com a lobista Roberta Luchsinger repetidas vezes, foi bem-sucedido em escapar da comparação real deste governo com aquele de seu pai. Lula escorregou ao chamar Flávio Bolsonaro de ‘malandro carioca’ num momento em que precisa virar votos no Rio, onde perdeu no primeiro turno. Mas foi bem-sucedido em se dirigir aos idosos, cujo comparecimento, a partir dos 70 anos, é facultativo. Defendeu a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, ao contrário do governo Jair Bolsonaro, e a indexação a aposentadoria a este reajuste real. Findo o debate, virão os cortes para as redes sociais, a serem trabalhados pelos dois especialistas que as campanhas têm nesta matéria: o deputado federal André Janones (Rede-MG), pelo lulismo, e Pablo Marçal, pelo bolsonarismo.
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