A demanda global por carvão está aumentando significativamente devido a uma profunda escassez de gás natural liquefeito (GNL), com os fluxos do Golfo Pérsico 75% abaixo dos níveis pré-28 de fevereiro. O contrato de referência de gás natural de novembro na Europa é negociado acima de 81 euros por MWh, enquanto o preço spot do GNL na Ásia superou os valores europeus. A queda na oferta de GNL, combinada com a crescente demanda por aquecimento no inverno, cria um desequilíbrio que eleva os preços do gás. A disparidade de custos, com o carvão sendo 80% mais barato que o GNL, incentiva a substituição energética, desviando a demanda para o carvão. A elevação dos preços globais de energia, em especial do gás, pode pressionar a inflação no Brasil via custo de produção e frete, afetando a taxa de juros (Selic) e o poder de compra. Em 2021, a crise energética na Europa também levou a um aumento temporário na demanda por carvão e preços recordes de gás, demonstrando a sensibilidade do mercado a choques de oferta e demanda sazonais. O desfecho dependerá da capacidade dos fornecedores de GNL de normalizar os fluxos, da intensidade do inverno e da velocidade com que as economias conseguem fazer a transição para fontes de energia mais baratas ou alternativas, como renováveis.
A evolução dos estoques de gás natural na Europa e na Ásia e as projeções climáticas para o inverno definirão a continuidade da pressão sobre os preços do GNL e a demanda por carvão. A capacidade de reativação de fluxos do Golfo Pérsico será crucial para o balanço de oferta global.
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