A nova estimativa publicada pelo Federal Reserve de San Francisco aponta que o juro real neutro — aquele que não acelera nem desacelera a economia — de médio prazo pode ser de 1,5%. Caso esta projeção esteja correta, a política monetária atualmente praticada pelo banco central americano estaria ligeiramente acomodatícia, indicando um custo de capital real abaixo do ponto de equilíbrio. Tal cenário favoreceria ativos de maior duration e risco, como ações de tecnologia (NVDA) e criptoativos (BTC), enquanto pressionaria o dólar (DXY). Para o investidor brasileiro, isso pode resultar em apreciação do BRL contra o USD e potencial entrada de capital em mercados emergentes, impulsionando o IBOV. A visão do Fed de San Francisco pode influenciar o debate interno do FOMC, levando a uma reavaliação das expectativas de taxa terminal ou do ritmo de cortes futuros. Historicamente, quando o Fed sinalizou uma postura mais dovish, como no final de 2018 com a 'pivot' de Powell, observou-se um forte rali em ações de crescimento e ativos de risco, com o S&P 500 subindo mais de 20% no primeiro semestre de 2019. O próximo gatilho será a ata da reunião do FOMC de 16 de setembro ou declarações de membros do Fed que possam endossar ou refutar essa nova perspectiva sobre o r*. No médio prazo, se a visão de um r* mais baixo se consolidar, o mercado pode precificar um ciclo de juros mais brandos, sustentando valuations de ativos de crescimento e reduzindo o prêmio de risco.
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