Em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e seu bloco político adotaram uma nova estratégia para tentar permanecer no poder, após a eleição da semana passada dar à oposição a chance de destituí-lo. O bloco de Netanyahu, sem apresentar fundamentos, alega que eleitores árabes fraudaram a eleição e exige um novo pleito. Este esforço coordenado visa lançar dúvidas sobre a legitimidade do resultado, potencialmente dificultando que os adversários dependam do apoio de partidos árabes ou justificando um atraso na formação de uma nova coalizão de governo. Netanyahu destacou duas investigações sobre supostas irregularidades, afirmando nas redes sociais na segunda-feira que "uma nuvem escura paira sobre os resultados eleitorais em Israel" até a conclusão das averiguações. O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, rival de Netanyahu, classificou a iniciativa como um "ato de desespero", afirmando que o Likud e Netanyahu sabem da determinação da oposição. A oposição conquistou 67 das 120 cadeiras no Parlamento, com 19 delas asseguradas por dois partidos árabes. O presidente de Israel, Isaac Herzog, deve dar a Eisenkot a primeira oportunidade de formar uma coalizão nos próximos dias. Uma das investigações, sobre "tentativa de suborno eleitoral", resultou na liberação de três detidos e críticas de juízes pela falta de evidências. A outra, conduzida pela agência de inteligência Shin Bet, apura possível influência estrangeira, mas o juiz da Suprema Corte Noam Sohlberg afirmou que as alegações não impactarão o resultado eleitoral, nem colocam em dúvida os votos árabes. Representantes do bloco de Netanyahu recusaram-se a aprovar a certificação dos resultados pelo comitê eleitoral central na quarta-feira, mas a validação ocorreu com votos suficientes. Especialistas alertam que a mobilização da base política de Netanyahu para apoiar medidas de atraso, sob o argumento de eleição ilegítima, poderia levar Israel a um cenário de instabilidade, comparado a um "momento de 6 de janeiro", segundo o professor Reuven Hazan.
O desfecho da crise política em Israel dependerá da capacidade do presidente Isaac Herzog de dar andamento ao processo de formação de uma coalizão de governo e da aceitação dos resultados eleitorais pelas facções políticas. Acompanhar a decisão de Herzog sobre quem terá a primeira oportunidade de formar o governo nos "próximos dias" será crucial, bem como o desenrolar das investigações sobre supostas irregularidades, que, segundo autoridades, não devem alterar o resultado.
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