A parceria entre a Inspirali, braço de educação médica da Ânima (ANIM3), e o Hospital Israelita Albert Einstein pode impulsionar os resultados da companhia a partir de 2027, por meio do aumento das mensalidades, da melhora do perfil dos alunos e da redução dos custos com financiamento estudantil. Após conversa com os executivos da empresa de educação, os analistas apontaram que as avaliações iniciais dos bancos são positivas, embora ainda haja dúvidas sobre a dimensão dos ganhos no longo prazo. Cabe ressaltar que a ação caiu forte na terça-feira, cerca de 9%, em meio a dúvidas sobre os termos do acordo. O Bradesco BBI avaliou o acordo como ligeiramente positivo, destacando que a associação com a marca Einstein pode fortalecer a demanda e ampliar o poder de precificação da Inspirali. Em relatório assinado pelos analistas Marcio Osako e Henrique Colla, porém, o banco afirmou que ainda espera maior clareza sobre os benefícios financeiros da parceria para avaliar se eles justificarão o investimento no longo prazo. A recomendação para as ações da Ânima foi mantida em neutra. Leia também MGLU3 sobe quase 70% e lidera rali pós-1º turno; ainda há espaço para alta? Magazine Luiza, MRV e Smart Fit lideram valorização desde a primeira votação; análise técnica revela os próximos alvos e riscos antes do segundo turno. BradSaúde (SAUD3) sobe forte após balanço do 3T e anúncio de dividendo bilionário O principal destaque do trimestre foi a sinistralidade consolidada, que ficou em 84,5% Já o JPMorgan destacou o potencial de contribuição positiva para o resultado operacional desde o primeiro ano de funcionamento da parceria. Após reunião com os diretores financeiros da Ânima e da Inspirali e com a equipe de Relações com Investidores (RI), o banco relatou confiança da administração de que o acordo aumentará o EBITDA, sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, já no primeiro ano. Marca Einstein pode elevar mensalidades Uma das principais oportunidades está no aumento dos preços cobrados pelos cursos de medicina. A administração da Ânima avalia que reajustes de 10% a 15%, ou até superiores, são possíveis diante da melhora percebida na qualidade da formação. Segundo o JPMorgan, o Einstein terá participação efetiva na estrutura acadêmica da Inspirali. A instituição indicará o diretor acadêmico, participará das decisões curriculares e designará profissionais para acompanhar a implementação das mudanças. Durante as negociações, também realizou avaliações físicas e acadêmicas dos cursos, que deram origem a um plano de ação já em execução. Para ilustrar o potencial de valorização da marca, a administração citou o curso de gastronomia da Anhembi Morumbi associado à Le Cordon Bleu. Segundo a empresa, a mensalidade, anteriormente em torno de R$ 1.500, passou a variar entre R$ 2.500 e R$ 3.000 após a incorporação da marca, da tecnologia e dos padrões de qualidade da escola francesa. Os reajustes na Inspirali poderão ocorrer em etapas, com uma primeira elevação no início da parceria e novas oportunidades à medida que os estudantes reconheçam a qualidade do produto. A avaliação inicial também não apontou necessidade de grandes investimentos imediatos ou de mudanças drásticas no modelo acadêmico, segundo as informações apresentadas pela administração. Menos financiamento e maior ocupação podem melhorar margens Além do aumento das mensalidades, o JPMorgan identificou oportunidades de ganho com a redução da dependência de financiamento estudantil e o preenchimento de vagas ociosas. Atualmente, cerca de um terço das vagas é ocupado por alunos que utilizam alguma modalidade de financiamento. A substituição desses estudantes por alunos que paguem diretamente as mensalidades pode melhorar a rentabilidade, reduzindo os custos associados a essas operações. Segundo os dados apresentados pela administração, as deduções relacionadas ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) correspondem a 27,5% da receita bruta, além de uma comissão de 2% do agente financeiro. O financiamento privado, como o Pravaler, também gera custos, embora menores. Outra frente é elevar a ocupação das unidades. A administração afirmou que algumas instituições já operam com todas as vagas preenchidas, enquanto outras ainda têm espaço para crescer. A meta é atingir 100% de ocupação em todas as unidades, apoiada pelo fortalecimento da marca e pela percepção de maior qualidade dos cursos. As matrículas já começaram, mas a maior parte ocorre após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Parceria pode beneficiar outras áreas da saúde Embora o acordo e os royalties estejam restritos aos cursos de medicina, a Ânima também vê potencial para que a associação com o Einstein melhore a reputação de outras graduações da área da saúde, como biociências e fisioterapia. O JPMorgan considera essa possibilidade uma fonte adicional de criação de valor, embora reconheça que seus efeitos são mais difíceis de mensurar e devem levar mais tempo para aparecer. Apesar do potencial de melhora operacional, o JPMorgan manteve recomendação neutra para as ações da Ânima e reiterou preferência por Afya (cuja ação é negociada nos EUA) e YDUQS (YDUQ3) entre as empresas de educação sob sua cobertura. The post Ânima (ANIM3): executivos explicam parceria com Einstein após queda de 9% das ações appeared first on InfoMoney.
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