Ucrânia e Rússia afirmaram que seus aplicativos de alerta de emergência foram invadidos por hackers durante a noite, enviando avisos falsos à população sobre ataques aéreos, químicos e nucleares iminentes. Os alertas coincidiram com o fim de um cessar-fogo local de seis dias, negociado pela primeira-dama dos EUA, Melania Trump, em Oleshky, uma pequena área do sul da Ucrânia. A trégua foi a mais longa pausa desse tipo nos combates desde a invasão russa em grande escala, em 2022. O aplicativo público ucraniano de alertas aéreos começou a enviar avisos falsos pouco antes das 23h no horário local (18h no horário de Brasília) de domingo para a capital, Kiev, e outras regiões, alertando sobre ataques radiológicos e químicos, além do risco de combates nas ruas em algumas áreas. Um dos alarmes falsos afirmava que a Rússia havia lançado um míssil hipersônico Oreshnik — capaz de transportar uma ogiva nuclear — e que um alerta nuclear havia sido declarado em toda a Ucrânia. Pouco depois, a Força Aérea da Ucrânia afirmou, no aplicativo de mensagens Telegram, que o sistema de alertas aparentemente havia sido invadido pela Rússia, observando que os avisos foram transmitidos em russo. O uso da língua ucraniana é obrigatório em todas as comunicações oficiais na Ucrânia. "O aplicativo de alertas aéreos parece ter sido alvo de interferência inimiga", afirmou a Força Aérea em comunicado. "Não há ameaça de radiação! Mantenham a calma e acompanhem nossas atualizações em nosso canal!" Mensagens informando o fim do perigo foram enviadas pouco depois para cada um dos alertas, e o Ministério da Transformação Digital da Ucrânia afirmou que o aplicativo de emergência havia sido temporariamente suspenso. Outros meios de alertar a população, porém, continuavam funcionando, assim como as sirenes de ataque aéreo. Nas ruas de Kiev, moradores minimizaram o impacto da invasão hacker. Do outro lado do conflito, a agência estatal russa de notícias Tass citou o Ministério de Situações de Emergência, em Moscou, afirmando na madrugada desta segunda-feira que seu aplicativo para celulares também havia sido alvo de um ataque cibernético que resultou na disseminação de informações falsas à população. O Atesh, grupo hacker pró-Ucrânia, publicou uma captura de tela da mensagem de alerta em seu canal no Telegram na madrugada desta segunda-feira, acompanhada do texto: "O aplicativo do Ministério de Situações de Emergência foi invadido!"
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