Trinh Nguyen, economista sênior para a Ásia emergente na Natixis, destacou que o iene possui "muito espaço para movimento", citando uma mudança fundamental em seus drivers. O mecanismo de valorização se baseia no retorno de investimentos japoneses ao país, na elevação das taxas de juros domésticas e na atratividade dos rendimentos dos títulos do governo japonês (JGBs), além de a moeda estar subvalorizada. Isso atrai capital para o Japão, aumentando a demanda pelo iene, como um ímã puxando dinheiro de volta para casa. Consequentemente, ativos como o par USDJPY devem sofrer pressão de baixa, enquanto o ETF EWJ, que replica ações japonesas, pode enfrentar desafios devido ao impacto em exportadores. Para o investidor brasileiro, a valorização do iene poderia indiretamente fortalecer o dólar globalmente (DXY) se o unwinding do carry trade for massivo, impactando o USDBRL e a precificação de ativos locais. Um paralelo histórico pode ser visto na valorização do franco suíço em 2015, quando o banco central abandonou o teto cambial, causando um choque de aproximadamente 30% no par EURCHF em um único dia. O próximo gatilho a monitorar será a próxima reunião do Banco do Japão, onde novas sinalizações sobre a política de taxas de juros ou controle da curva de juros (YCC) podem acelerar ou frear essa tendência. No médio prazo, se o BoJ continuar a normalizar a política monetária, o iene pode estabelecer um novo patamar de valorização, impactando a competitividade das exportações japonesas e o custo de financiamento global.
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