Mercado de capitais brasileiro atinge captação recorde de R$ 556,7 bilhões em 2026

O mercado de capitais do Brasil alcançou um volume recorde de R$ 556,7 bilhões em captações entre janeiro e setembro de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica em 2012, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) nesta terça-feira (20). Este montante representa um crescimento de 5,3% em comparação com os nove primeiros meses de 2025, com o número de operações aumentando 10,9%, totalizando 2.311 ofertas. A renda fixa manteve sua liderança, contribuindo com R$ 441 bilhões do total captado. A renda variável, que inclui IPOs e follow-ons, atingiu R$ 34,8 bilhões, significativamente superior aos R$ 4,2 bilhões registrados um ano antes. Cesar Mindof, diretor da Anbima, ressaltou que a mudança na composição das ofertas é um aspecto mais relevante do que o próprio recorde de volume, indicando resiliência e amadurecimento do mercado. Os FIIs captaram R$ 70,6 bilhões, com alta de 114,3%, impulsionando a expansão dos híbridos. Os Fiagros movimentaram R$ 10,2 bilhões, quase quatro vezes mais que em 2025, com o número de operações passando de 31 para 95. Ambos os segmentos estão em processo de consolidação, com FIIs realizando aquisições de outros fundos e imóveis, e Fiagros financiando produtores e empresas do agronegócio. Em contrapartida, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) caíram 62,3%, para R$ 11,1 bilhões. As ofertas de ações, impulsionadas por R$ 3 bilhões em IPOs e R$ 31,8 bilhões em follow-ons, superaram o volume dos três anos anteriores. No segmento de renda fixa, as emissões de debêntures recuaram 18% para R$ 261,2 bilhões, embora as debêntures de securitização tenham avançado 40,1% e o mercado secundário de debêntures tenha crescido 5,8%, totalizando R$ 689 bilhões.

Análise

A continuidade do recorde de captação e a diversificação do mercado de capitais dependerão da evolução das taxas de juros no Brasil, que influenciam diretamente a atratividade da renda fixa em comparação com outros ativos. Os próximos relatórios da Anbima sobre o quarto trimestre de 2026, com divulgação prevista para o início de 2027, e as decisões do Copom sobre a Selic, que ocorrem a cada 45 dias, serão cruciais para confirmar ou ajustar as tendências observadas.

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