O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) liderou uma delegação do governo brasileiro em Paris, na França, para debater o uso de criptomoedas em atividades ilícitas e formas de acelerar a aplicação das regras internacionais sobre o setor. Realizada entre os dias 26 e 30 de outubro com balanço atualizado nesta terça-feira (3), a agenda integrou a Reunião Plenária e as sessões do Grupo de Ação Financeira (Gafi). Ao lado da unidade de inteligência financeira, a comitiva nacional contou com representantes do Banco Central do Brasil, da Receita Federal e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Também participaram das discussões na capital francesa integrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Os primeiros dias de trabalho reuniram cinco grupos técnicos encarregados de estruturar as propostas votadas na sessão plenária do fim da semana. Na pauta principal estiveram o enfrentamento à lavagem de dinheiro, o rastreio do fluxo internacional de recursos ilegais e o avanço da transparência nas operações financeiras entre diferentes países. Gafi fará revisão em países com mercado cripto relevante e divulgará resultados em 2027 De acordo com o documento oficial de resultados da plenária divulgado pelo próprio Gafi, o colegiado aprovou o lançamento de uma revisão direcionada e de processos acelerados de acompanhamento sobre o setor de ativos virtuais. A medida busca apoiar os países na correção rápida de falhas na aplicação das normas internacionais voltadas às criptomoedas e aos prestadores de serviços de ativos virtuais (VASPs). Segundo a entidade internacional, a decisão responde ao avanço do uso de criptoativos por redes criminosas para aplicar golpes, fraudes, evasão de sanções, lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo e proliferação de armas. Essa fiscalização específica utilizará critérios objetivos e terá foco nas jurisdições que possuem mercados de ativos virtuais considerados relevantes com base no estágio atual de avaliação de cada local. Os relatórios com os resultados dessa nova rodada de checagem serão publicados pelo organismo nos meses de junho e outubro de 2027. Até lá, a instituição atuará em conjunto com os governos selecionados para reforçar a implementação das regras por meio de programas contínuos de treinamento e capacitação técnica. Não está claro se o Brasil será um dos países selecionados, mas a adoção no país é a maior do mundo. Plenária aprova relatório global contra golpes e avalia Estados Unidos e México Durante as deliberações sobre o mercado de criptoativos, os membros buscaram caminhos para apressar o cumprimento das diretrizes globais pelas jurisdições participantes. Na mesma rodada, o colegiado aprovou a etapa inicial de um projeto voltado para a criação de um relatório mundial sobre fraudes e golpes financeiros. Outro destaque do encontro internacional envolveu a validação dos relatórios de avaliações mútuas referentes aos sistemas de fiscalização dos Estados Unidos e do México. Segundo o comunicado oficial do Coaf, ambos os documentos técnicos ficarão disponíveis para consulta pública no portal eletrônico do próprio organismo. Fundado em 1989 por iniciativa do G7 durante a Cúpula de Paris, o Gafi (conhecido pela sigla em inglês FATF) define os padrões globais de prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e à proliferação de armas de destruição em massa. O Brasil ingressou como membro pleno da entidade no ano 2000 e tem o Coaf como ponto focal para coordenar o cumprimento das 40 recomendações exigidas pelo grupo. Fonte: Coaf, Banco Central e Receita Federal vão a Paris discutir regras globais sobre criptomoedas no GaFi, que promete monitorar regulação das exchanges até 2027 Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
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