Flávio Bolsonaro visita EUA gera tensão, mas risco fiscal pesa mais

Em 28 de outubro, Flávio Bolsonaro, senador do Partido Liberal (PL), chegou a Miami, depois de sair do Brasil pela Argentina, gerando tensão diplomática entre Brasília e Washington. Para investidores estrangeiros, a possibilidade de conflito diplomático com Donald Trump pesa menos do que as incertezas sobre a economia brasileira em 2027, segundo diretor‑executivo da Eurasia Group, Christopher Garman, e outros executivos financeiros. Garman afirmou que a situação pode complicar a relação bilateral, mas dificilmente provocará uma escalada de sanções americanas ou afetará de forma relevante o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil. A queda do Ibovespa após o segundo turno da eleição presidencial brasileira refletiu a reversão do rali que precedeu a eleição, quando parte dos investidores apostava na vitória de Bolsonaro. A expectativa de vitória de Bolsonaro havia alimentado apostas em uma política econômica mais favorável ao mercado, sobretudo no controle das contas públicas. A reeleição de Lula frustrou essa expectativa, provocando correção nos preços dos ativos. O risco fiscal, associado à trajetória das contas públicas e à capacidade do governo Lula de promover um ajuste fiscal que permita redução dos juros, permanece como principal fator de risco para investimentos no país. A possibilidade de Trump conceder asilo político a Bolsonaro tem pouca relevância para decisões de investimento, segundo executivos de bancos de investimento e gestoras de recursos. O consenso é que o Brasil permanece bem posicionado geopoliticamente e possui ativos com potencial de valorização.

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