O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) recuou 1,3 ponto em agosto, estabilizando em 84,2 pontos, enquanto as médias móveis trimestrais se mantiveram em 84,9 pontos. A deterioração foi generalizada entre os principais segmentos do setor, impulsionada pela piora das expectativas em relação aos próximos meses. Este cenário é agravado pela persistência de juros altos no Brasil e pela menor confiança do consumidor, o que tende a desestimular o consumo e o investimento no varejo. Consequentemente, empresas do setor de consumo discricionário, como MGLU3 e LREN3, devem enfrentar pressão sobre receitas e lucratividade. Para o investidor brasileiro, a queda na confiança do comércio pode sinalizar uma desaceleração econômica mais ampla, mantendo os juros em patamares elevados por mais tempo e impactando negativamente o PIB. Historicamente, em ciclos de juros altos e baixa confiança, como visto em 2015, o volume de vendas no varejo brasileiro apresentou contração de 4,3% no ano. Os próximos dados de vendas no varejo e os índices de inflação serão cruciais para confirmar a trajetória do setor. No médio prazo, a manutenção do cenário de juros elevados e a incerteza fiscal podem limitar a recuperação do varejo, mantendo um viés de baixa para os múltiplos do setor.
Nas próximas 4-6 semanas, o setor de varejo deve permanecer sob pressão, com as ações MGLU3, LREN3 e SOMA3 buscando novos patamares de suporte. Um gatilho para uma possível reversão dependerá de dados macroeconômicos mais favoráveis, como uma desaceleração do IPCA ou uma melhora na taxa de desemprego, que poderiam preceder uma flexibilização monetária. No médio prazo (3-6 meses), a recuperação será condicionada a uma queda consistente da Selic e à retomada da confiança do consumidor.
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