Tornados atingiram o oeste de Santa Catarina e deixaram dois mortos, 32 municípios em situação de emergência e 5.531 residências afetadas desde a última quarta-feira (4). 56 pessoas ficaram desabrigadas e 252 desalojadas. Mais localizado e de formação rápida, o fenômeno é mais difícil de prever do que o furacão — maior, mais duradouro e monitorado com antecedência —, mas pode causar danos concentrados e severos em pouco tempo. "Normalmente, a localidade onde o furacão vai atingir o continente está sendo monitorada há bastante tempo. Isso dá mais tempo para se preparar. Já o tornado se forma muito rapidamente numa região onde é muito difícil se fazer a antecipação. E, apesar de os estragos serem um pouco mais concentrados, eles acabam sendo muito maiores", explica Ricardo de Camargo, professor de meteorologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP). No tamanho e na duração, as diferenças também são marcantes. Segundo o professor, um tornado pode ter poucos metros de extensão, ser localizado e durar poucos minutos, enquanto o furacão alcança, no mínimo, 500 quilômetros, persiste por mais tempo e percorre uma trajetória maior. Outra diferença é sobre como cada fenômeno é formado, complementa Patrick Calvano Kuchler, chefe do Departamento de Geografia Física da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). "O tornado é uma coluna de ar em rotação que se estende da base de uma tempestade até o solo, com diâmetro de dezenas a centenas de metros e duração de minutos. O furacão é um ciclone tropical, um sistema com centenas de quilômetros que dura dias, formado sobre superfície do mar aquecida", informa Kuchler. O furacão vai necessariamente ser formado em cima de um oceano, enquanto o tornado pode ser formado em qualquer lugar, complementa Camargo. Ainda de acordo com ele, o furacão se forma sobre oceanos tropicais de águas muito quentes e é alimentado pela evaporação do mar, que transfere calor e umidade para a atmosfera. Já o tornado nasce de uma atmosfera instável que forma uma nuvem de tempestade muito forte, sem depender do oceano e, por isso, pode ocorrer tanto em terra quanto no mar, explica o professor da USP. *Estagiária sob supervisão de Diogo Max
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real