A Indonésia, antes vista como um porto seguro entre mercados emergentes, enfrenta um momento de profunda instabilidade econômica e política. A Bolsa do país registrou uma queda superior a 11% em um dia, a maior desde a crise financeira asiática de 1998, e recuou mais 3,6% na segunda-feira (19 de outubro). Em 2026, a Bolsa acumulou uma desvalorização próxima de 40%, enquanto a moeda local, a rupia, superou a marca de 18 mil unidades por dólar. Socialmente, a população de classe média encolheu cerca de 19% em relação ao seu pico, e o desemprego entre os jovens atingiu 17%, um dos níveis mais altos da Ásia. A situação de Novri Putra, um graduado em tecnologia da informação que trabalha como motorista de mototáxi por aplicativo e ganha cerca de US$ 220 por mês, ilustra o mal-estar econômico. Especialistas, como Ferry Latuhihin, ex-economista-chefe do Bank International Indonesia, alertam que o país vive seu momento mais delicado desde 1998, quando um colapso econômico levou à queda do então ditador Suharto, e sugerem que a história pode se repetir com o governo atual. A instabilidade política é evidenciada pela remoção de Sri Mulyani do Ministério das Finanças em setembro de 2025, e a posse de um terceiro ministro das Finanças em apenas dois anos. Programas governamentais, como refeições gratuitas para mais de 80 milhões de estudantes, estimados em US$ 30 bilhões anuais, são criticados pela oposição. Apesar da gravidade, analistas não esperam que a turbulência financeira se espalhe para os países vizinhos.
A evolução dos indicadores sociais, como o desemprego juvenil e a renda da classe média, também será determinante para a estabilidade do país.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real