Dívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027

A dívida pública brasileira pode atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2029 caso o próximo governo não consiga implementar um ajuste fiscal suficiente para conter o crescimento dos gastos. A projeção da Tendências Consultoria expõe um dos principais desafios econômicos que Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) terão de enfrentar a partir de 2027. Em entrevista ao Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, nesta quinta-feira (22), a economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências, afirmou que as propostas dos dois candidatos ainda não oferecem respostas suficientes para estabilizar a dívida. A principal dificuldade está no crescimento das despesas obrigatórias, especialmente aquelas vinculadas ao salário mínimo, à Previdência, aos benefícios sociais e aos pisos constitucionais de saúde e educação. Debate 2º turno: quando será o próximo embate entre Lula e Flávio Bolsonaro? “Os pontos que estão sendo sinalizados em termos de pontos a serem atacados não são suficientes, na verdade, para fazer o ajuste que a gente precisa”, afirmou. A projeção de 100% do PIB considera um cenário de correção fiscal insuficiente. Não se trata, portanto, de um resultado inevitável, mas de um alerta sobre os riscos da manutenção dos desequilíbrios. O tamanho do ajuste necessário Segundo Alessandra, uma referência utilizada em cálculos fiscais aponta para a necessidade de superávit primário de aproximadamente 2,5% do PIB para estabilizar a dívida. A economista ressalva que as simulações da Tendências admitem resultados menores, dependendo de outras variáveis econômicas. Mesmo assim, a consultoria considera difícil interromper o crescimento da dívida no curto prazo. “A gente não vê uma estabilização da dívida já no curto prazo. A gente avalia que é muito difícil, justamente porque tem que passar pelo enfrentamento dessa dinâmica das despesas obrigatórias”, disse. Leia também Real Time Big Data: Flávio tem 49% dos votos totais contra 45% de Lula Considerando os votos válidos, Flávio tem 52% contra 48% de Lula Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 47%, e Lula, 46%, a três dias do 2º turno A três dias da eleição, pesquisa mostra empate exato entre os candidatos nos votos válidos, de 50% Promessas de Lula e Flávio Lula promete preservar o arcabouço fiscal e alcançar superávit primário de 1,3% do PIB até 2030. Flávio propõe um ajuste equivalente a 1,5% do PIB nos primeiros 18 meses de governo, acompanhado de uma nova regra fiscal, redução de impostos e diminuição da estrutura administrativa do Estado. Para a Tendências, antecipar o ajuste pode ajudar a estabilizar a dívida em um patamar menor. A dúvida está na capacidade de transformar essas metas em medidas concretas. No caso de Flávio, Alessandra considera difícil conciliar um ajuste expressivo com a redução de impostos e a preservação de benefícios sociais. “Com esses compromissos todos, fica difícil fazer esse ajuste significativo”, afirmou. Exército do Lula e Tropa do Flávio: como lógica do BBB chegou na eleição presidencial A economista também questionou a capacidade de cortes de ministérios, cargos e despesas administrativas produzirem a economia necessária. “Esse tipo de ajuste é muito pequeno em relação ao que é necessário para gerar o superávit primário que a gente precisa”, disse. Já uma eventual reeleição de Lula exigiria medidas mais profundas do que os ajustes graduais defendidos pelo presidente durante a campanha. Despesas obrigatórias são o principal obstáculo Alessandra identifica quatro áreas especialmente sensíveis: a valorização do salário mínimo, os gastos previdenciários e assistenciais, os mínimos constitucionais de saúde e educação e as emendas parlamentares. Essas despesas crescem por mecanismos previstos em lei ou na Constituição, o que limita a capacidade do Executivo de controlar sua expansão. Mudanças nas regras também dependem de negociações políticas e podem enfrentar resistência no Congresso. O que Flávio poderia fazer com um Congresso mais à direita em 2027 “É só discussão difícil. A gente está falando de salário mínimo, de saúde e educação, de benefício social, de emenda parlamentar”, afirmou. Nem mesmo uma vitória de Flávio, que encontraria um Congresso ideologicamente mais próximo de sua agenda econômica, garantiria a aprovação das medidas. Para Lula, a dificuldade seria ainda maior, diante de um Legislativo com predominância de partidos de centro e direita. A edição faz parte da cobertura especial do InfoMoney para as eleições de 2026, com transmissões ao vivo até sexta-feira (23), às 18h. Na segunda-feira (26), o InfoMoney realizará uma superlive de Política e Mercados para analisar o resultado das urnas e a reação dos investidores. The post Dívida de 100% do PIB: o risco fiscal que espera Lula ou Flávio em 2027 appeared first on InfoMoney.

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