A inflação de alimentos acumulada durante o governo de Jair Bolsonaro é quase três vezes maior do que a observada entre o início do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, e setembro de 2026, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) O Índice nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na categoria de alimentos e bebidas chegou a 46,25% durante o governo Bolsonaro, enquanto o de Lula III está em 16,88%, até setembro de 2026, segundo números copilados pelo Valor Data. No consolidado, o IPCA do governo Bolsonaro acumulou alta de 26,93%, enquanto o de Lula III está em 18,87%. O professor titular de Economia da UFPE, Ecio Costa, explica que a inflação de alimentos durante o governo Bolsonaro foi mais impactada por fatores externos do que domésticos, em especial pela pandemia de coronavírus, iniciada em 2020. "A pandemia gerou uma desorganização severa nas cadeias globais de suprimentos, com muitos portos fechados e navios que deixaram de circular, e isso trouxe uma oscilação muito grande na demanda por alimentos, porque, ao mesmo tempo, os países estavam impulsionando o consumo com programas de transferência de renda mais fortes, como o auxílio emergencial aqui no Brasil." Além disso, em 2021, a inflação também foi afetada por problemas climáticos, que prejudicaram a produção agrícola, e pela crise hídrica, que encareceu os custos de produção e de energia. Já em 2022, teve um choque global nos preços de insumos como fertilizantes, encareceu a produção do agronegócio. Por fim, a desvalorização do real frente ao dólar, junto com a política de paridade de preços para a importação de combustíveis, encareceu o diesel e, por consequência, a logística, comenta Costa ao listar os fatores que aceleraram a inflação de alimentos durante o governo Bolsonaro. Já durante o governo Lula III, apesar da guerra do Irã ainda prejudicar os preços do combustível, houve uma maior acomodação das cadeias globais, o que ajudou a normalizar a logística internacional. "Houve também um ciclo da pecuária bastante favorável, com a maior oferta de boi, principalmente para o abate, o que ajudou a reduzir alguns preços de carnes. E o câmbio também esteve mais estável, com uma menor volatilidade em relação aos preços dos picos que aconteceram entre 2020 e 2022", comenta Costa. Ainda assim, o especialista alerta que o El Niño previsto para este ano pode impactar os preços dos alimentos agora no fim do ano.
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