Braskem vende mais resinas no 3º trimestre, mas spreads perdem força e retomam nível pré-guerra

Os dados operacionais divulgados pela Braskem, relativos ao terceiro trimestre, mostram que a companhia vendeu mais resinas a partir de suas operações no Brasil, tanto na comparação anual quanto frente ao segundo trimestre, mas também confirmam que os spreads (margens) voltaram aos níveis pré-conflito no Irã, após a alta excepcional vista no segundo trimestre decorrente da interrupção abrupta de oferta por parte de grandes produtores globais. Confira os resultados e indicadores de Braskem e das demais companhias de capital aberto no Valor Empresas 360 “O segundo trimestre, no meio da guerra, trouxe números vistosos. Aquele foi um resultado muito forte pontual. O terceiro trimestre confirma a volta à normalidade, com os números refletindo o custo do barril e preço médio de resinas e químicos mais parecido com o pré-guerra e, portanto, spreads também mais parecidos”, disse ao Valor o presidente da petroquímica, Hélcio Tokeshi. De julho a setembro, as centrais petroquímicas da Braskem no Brasil operaram com taxa de utilização (de eteno) de 69%, alta de 4 pontos percentuais frente ao terceiro trimestre de 2025 e queda de 1 ponto em relação ao segundo trimestre. As vendas de químicos somaram 574 mil toneladas, baixas de 18% e 4%, respectivamente, enquanto as exportações avançaram nas duas bases de comparação, a 67 mil toneladas. Em resinas (polietileno, polipropileno e PVC), foram vendidas 854 mil toneladas no trimestre, 9% acima do volume comercializado um ano antes e 12% mais do que no segundo trimestre. Conforme Tokeshi, a estratégia da petroquímica no intervalo foi ampliar vendas no mercado brasileiro e na América Latina, recuperando “market share” — as exportações, que somaram 240 mil toneladas, também avançaram. O spread médio em resinas no país ficou em US$ 372 por tonelada, frente a US$ 653 por tonelada no segundo trimestre e a US$ 355 por tonelada um ano antes. Nos Estados Unidos e na Europa, a taxa média de utilização das fábricas de polipropileno (PP) ficou em 74%, versus 76% no segundo trimestre e 79% no terceiro trimestre de 2025. O recuo se deve à maior dificuldade de operação na Alemanha, em meio à seca histórica no rio Reno, com impacto no transporte de mercadorias e matérias-primas. Um fornecedor da Braskem declarou “força maior” por causa dos desafios de navegação na principal rota fluvial alemã. As vendas de resinas totalizaram 489 mil toneladas, com baixa de 1% na comparação anual e de 2% frente ao segundo trimestre. Já o spread médio do polipropileno ficou em US$ 402 por tonelada, 14% abaixo do realizado três meses antes — mas 11% maior frente ao terceiro trimestre do ano passado. No México, os recursos aportados na Braskem Idesa conforme previsto plano do “Chapter 11” (recuperação judicial nos Estados Unidos) possibilitaram a retomada da compra de insumos e maior ocupação da central petroquímica. De julho a setembro, a taxa de utilização subiu a 62%, alta de 19 pontos percentuais frente ao segundo trimestre e de 15 pontos na comparação anual. As vendas de polietileno (PE) somaram 159 mil toneladas, também com recuperação frente aos trimestres anteriores, e o spread médio totalizou US$ 921 por tonelada, 35% abaixo do visto no segundo trimestre, mas 27% maior do que o registrado um ano antes. “Foi um trimestre mais normal. Mas a Braskem ainda conseguiu spreads razoáveis e ganhou participação de mercado, principalmente no Brasil”, afirmou o presidente da Braskem. Braskem Maria Magdalena Arrellaga/Bloomberg

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