Kelsey Berro, gestora de portfólio do JPMorgan Asset Management, avalia que o mercado de títulos corporativos de grau de investimento (investment-grade) está preparado para absorver o volume significativo de emissões esperado para setembro. A perspectiva de Berro se baseia na forte demanda atual por dívida corporativa, o que deve mitigar a pressão baixista sobre os preços dos títulos e o consequente alargamento dos spreads de crédito, mesmo diante de uma oferta pesada. Essa resiliência pode beneficiar empresas que buscam financiamento, como AAPL e MSFT, ao manter os custos de captação estáveis, enquanto ETFs como LQD podem apresentar menor volatilidade. Para o investidor brasileiro, a estabilidade nos mercados de crédito globais pode reduzir o prêmio de risco em dívida corporativa local, favorecendo empresas como ITUB4 em suas emissões ou gestão de passivos. Em 2020, o mercado de títulos corporativos dos EUA absorveu uma emissão recorde de US$ 1,6 trilhão após as intervenções do Fed, com spreads de crédito retornando rapidamente aos níveis pré-pandemia, demonstrando capacidade de absorção. O principal gatilho a monitorar será a divulgação dos volumes reais de emissão em setembro e a reação dos spreads de crédito, especialmente após a reunião do FOMC em 16 de setembro. No médio prazo (próximos 3-6 meses), se a demanda se mantiver e a inflação for controlada, o ambiente para o crédito investment-grade pode permanecer construtivo, apesar de potenciais flutuações de curto prazo na oferta.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado de títulos corporativos investment-grade ($107.00) deve demonstrar resiliência, com spreads de crédito mantendo-se estáveis ou com leve aperto, apesar do aumento da oferta. O gatilho para uma reavaliação seria uma deterioração inesperada nos dados econômicos globais ou um aumento agressivo nas taxas de juros pelo FOMC (próxima reunião em 16 de setembro), que poderia impactar a demanda por crédito.
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