As ações da Porto (PSSA3) operam em queda nesta quinta-feira (5), enquanto o mercado repercute o balanço do terceiro trimestre de 2026. Apesar do crescimento das receitas do grupo, a piora dos indicadores de crédito do Porto Bank e a queda do lucro recorrente pesaram sobre o resultado. Por volta das 12h05, os papéis PSSA3 caíam 2,09%, a R$ 43,95. Entre julho e setembro, a companhia registrou lucro líquido de R$ 839 milhões, alta de apenas 1% em relação ao mesmo período de 2025. Já o lucro líquido recorrente somou R$ 713 milhões, recuo de 14% na comparação anual. As receitas totais alcançaram R$ 11 bilhões, crescimento de 10% em um ano. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 20,7%, queda de 2,3 pontos percentuais (p.p) na base anual, enquanto o indicador recorrente foi de 17,6%, 5,3 p.p abaixo do registrado há um ano. Segundo a companhia, a diversificação dos negócios e a complementaridade entre as verticais contribuíram para sustentar os resultados em um cenário de crédito mais desafiador. Como foram os resultados das verticais da Porto Na divisão de seguros, as receitas totais somaram R$ 6,2 bilhões, avanço de 9,4% na comparação anual. O crescimento, porém, veio acompanhado de uma piora na sinistralidade, que subiu 0,9 ponto percentual, para 59,1%. Na vertical de saúde, as receitas também avançaram, impulsionadas pela expansão da base de beneficiários dos planos de Saúde e Odonto. Ainda assim, o lucro da unidade caiu 34% em um ano, para R$ 84 milhões. Já a divisão de serviços segue em processo de estruturação e ampliação de parcerias estratégicas. A companhia afirma que a estratégia busca diversificar os ramos de atuação e ampliar a oferta de serviços. Porto Bank: inadimplência e provisões pressionam resultado O principal ponto de atenção do balanço ficou no Porto Bank. Embora a receita da divisão tenha crescido 13% em um ano, para R$ 2 bilhões, o avanço dos indicadores de inadimplência exigiu um aumento expressivo das provisões para perdas com crédito. A carteira de crédito alcançou R$ 23,7 bilhões, alta de 9,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A carteira administrada de consórcios também cresceu, com expansão de 28,8% na base anual, para R$ 132 bilhões. O crescimento dos negócios, no entanto, veio acompanhado de uma deterioração da qualidade do crédito. O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira de 360 dias subiu para 10,2%, ante 9,4% no trimestre anterior e 7,2% um ano antes. As despesas com provisões para perdas de crédito somaram R$ 843 milhões no trimestre, um salto de 48% em relação ao mesmo período do ano passado. Essas despesas representam os recursos que a instituição separa para cobrir possíveis calotes. A Porto atribuiu a pressão a um ciclo de crédito mais adverso e à adoção de uma postura mais conservadora na gestão de risco. Ao longo do trimestre, o banco apertou os critérios de concessão, reforçou as estratégias de cobrança e direcionou o crescimento para produtos com garantias mais robustas e perdas consideradas mais previsíveis. Segundo a companhia, as iniciativas para melhorar a qualidade da carteira já começam a aparecer nos indicadores. Ainda assim, a administração afirmou manter cautela diante do cenário macroeconômico. A pressão sobre o crédito também chegou à rentabilidade da divisão. O lucro líquido do Porto Bank recuou 13% na comparação anual, para R$ 170,7 milhões, enquanto o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) caiu 5,8 pontos percentuais, para 20,3%. Um dos destaques positivos foi a eficiência operacional. O indicador melhorou 3,3 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025, para 27,4%. Na avaliação da Porto, o crescimento das receitas, a expansão dos negócios e os ganhos de eficiência mostram que a operação mantém fundamentos sólidos, apesar do impacto da deterioração do crédito sobre a rentabilidade.
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