Klabin vê tendência neutra para mercados em que opera

O presidente da Klabin, Cristiano Teixeira, disse que a empresa vê tendência de neutralidade nos próximos meses para os mercados em que a companhia opera. O segmento de kraftliner, papel obtido a partir da celulose de fibra longa para a fabricação de embalagens, é o único que apresenta tendência positiva para demanda, volume de vendas e preços. A perspectiva positiva é influenciada pelo fechamento recente de capacidades de produção de “container board” nos Estados Unidos. Desde o último ano, estima-se que cerca de 4 milhões de toneladas deste material foram retirados do mercado por conta disso. “Sabíamos que, quando houvesse fechamento de capacidades, teríamos um efeito nos preços”, disse Teixeira, nesta quinta-feira (29), em teleconferência com analistas que discutiram os resultados do terceiro trimestre. Lucro da Klabin cai 31% no 3º trimestre com pressão de custos e câmbio Klabin vê continuidade na pressão de custos com El Niño mais intenso Confira os resultados e indicadores da Klabin e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360 Para a empresa, os EUA atravessam escassez de papel, que pode se agravar em eventual momento de recuperação do consumo e aumento da demanda naquele país. “Kraftliner tem um diferencial de preço comparado a outros containers boards. Estamos felizes com esse produto.” No terceiro trimestre, a receita do negócio de kraftliner da companhia recuou 7%, para R$ 581 milhões, mas a Klabin atribuiu a queda à redução do volume de vendas, provocada pela parada programada de manutenção na unidade de Otacílio Costa (SC) e por restrições logísticas no período. Outros negócios Os negócios de fibra curta, longa, cartões, papelão ondulado e sacos industriais apresentam tendência neutra para demanda, volume de vendas e preços, segundo a Klabin. No terceiro trimestre, a receita do negócio de fibra curta e longa da companhia cresceu 6%, para R$ 1,5 bilhão, apoiada por alta de 18% no preço médio em dólares da fibra curta. O comando da empresa disse que em fibra curta espera recuperação gradual de preços, mas estabilidade na demanda. Desde abril, o insumo já passou por pelo menos três altas nas Américas e na Europa e pelo menos duas na Ásia. Em cartões, a receita da empresa cresceu 10% no terceiro trimestre, para R$ 1,3 bilhão, alta influenciada pelo início da operação da máquina de papel (MP) 28 do projeto Puma II, em Ortigueira (PR), de papel-cartão e kraftliner, e pelo aumento de 23% nos embarques para o mercado externo. O segmento de embalagens, papelão ondulado e sacos industriais seguiu trajetórias opostas. Em papelão ondulado, a receita ficou estável em R$ 1,7 bilhão, amparada em reajustes de preços que compensaram a queda no volume de vendas. Já os sacos industriais tiveram baixas de 10% nas vendas e de 7% na receita, impactados por barreiras tarifárias nas exportações. “Sobre papelão ondulado e sacos industriais, vemos posição também de estabilidade nos próximos meses”, disse Teixeira. El Niño A diretora financeira da empresa, Gabriela Woge, disse que o El Niño deve continuar impactando os custos no quarto trimestre e no primeiro trimestre do próximo ano. “Na nossa perspectiva mais de curto prazo, devemos ter um quarto trimestre também pressionado por esse fator, mas sem paradas em máquinas”, disse. A alta em fretes e em insumos, resultado de conflitos geopolíticos, segundo a companhia, deve se estender mais. “El Niño deve durar até o primeiro trimestre, mas os impactos geopolíticos devem durar ao longo do próximo ano”, acrescentou. No terceiro trimestre, a preparação da companhia para efeitos do El Niño e a alta em fretes e em insumos responderam, juntos, por quase metade da alta anual dos custos de produção, transporte e venda de produtos da empresa. Esses gastos fizeram o custo caixa total por tonelada da companhia, média integrada de todos os negócios, atingir R$ 3,34 mil nos nove meses encerrados em setembro, montante acima da meta para o ano, de R$ 3,2 mil a R$ 3,3 mil, da companhia. Teixeira disse que em setembro o Paraná registrou volume de chuvas de cerca de 350 milímetros, seguido por um outubro com cerca de 400 milímetros. O mês de novembro já sugere tendência similar. “Operar três meses a 400 milímetros em média de chuva traz uma dificuldade operacional grande.” O executivo disse que, por conta do planejamento prévio, a empresa não enfrenta riscos operacionais. “Nenhuma fábrica corre risco de desabastecimento de madeira, mas é um período bastante desafiante pelo volume de chuvas”, completou. Divulgação/Klabin

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