Em discurso na Conferência Internacional de Bancos do Santander, na Espanha, Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), declarou que a inteligência artificial (IA) não altera o objetivo da política monetária, mas muda o ambiente em que ela é conduzida. Segundo ele, a IA está reconfigurando a demanda, a oferta e os mercados financeiros simultaneamente, tornando a economia mais difícil de ler e aumentando a incerteza em torno da transmissão da política monetária. Hernández de Cos apontou que a dificuldade se estende a variáveis-chave não observáveis, ampliando erros de medição e discrepâncias entre o produto real e estimado. Ele prevê que os impactos macroeconômicos da IA variarão de país para país, dependendo do grau de preparação e exposição, e que os bancos centrais precisarão calibrar suas respostas com cuidado. No longo prazo, ele citou riscos de produtividade limitada, crescimento autorreforçado e desvio de renda para o trabalho, além de efeitos na taxa de juros neutra. Quanto à estabilidade financeira, o diretor-geral alertou para riscos de segurança cibernética, especialmente com IA generativa, e para a concentração de avaliações de ações em poucas empresas do núcleo de desenvolvimento de IA, que se financiam principalmente por crédito privado, com parte do financiamento sendo opaca e interconectada. Ele também destacou que a reprecificação de ações pode afetar o consumo, e concluiu que o impacto econômico da IA será moldado por escolhas políticas, não apenas pela tecnologia.
A definição do desfecho dependerá da forma como os principais bancos centrais (Fed, BCE, BCB) incorporarem avaliações de risco relacionadas à IA em suas próximas decisões de política monetária, especialmente nas atas e comunicados que serão publicados nos próximos dois meses.
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