A China está em um processo estratégico de construção de um sistema de pagamentos alternativo, o CIPS (Cross-Border Interbank Payment System), para se proteger de sanções dos EUA, apesar de sua necessidade contínua de dólares. O mecanismo visa contornar a capacidade dos EUA de pressionar bancos chineses através do acesso ao sistema financeiro global e ao SWIFT, com o governo americano utilizando essa alavancagem em casos como as relações com o Irã. Como consequência, bancos chineses como o China Construction Bank (0939.HK) enfrentam riscos diretos de sanções, enquanto ativos como o ouro (GLD) e Bitcoin (BTC) podem se beneficiar como refúgios de valor e alternativas a sistemas fiduciários centralizados. Para o investidor brasileiro, a longo prazo, uma menor dominância do dólar poderia aliviar pressões cambiais sobre o BRL e impulsionar acordos bilaterais de comércio em moedas locais. Historicamente, a criação do sistema MIR na Rússia após sanções em 2014 ilustra a busca por autonomia financeira em resposta a pressões geopolíticas. Os próximos eventos a observar incluem a expansão da rede de países que adotam o CIPS e qualquer nova imposição de sanções dos EUA a entidades chinesas.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado deve monitorar declarações de autoridades chinesas sobre a expansão do CIPS e qualquer retaliação dos EUA. Se a adesão ao CIPS acelerar, o ouro pode testar a resistência de $4800, e o Bitcoin pode buscar $85k. O principal gatilho para uma escalada de risco seria a imposição de novas sanções diretas a grandes bancos chineses, o que pressionaria bancos como 0939.HK e JPM, este último por uma potencial redução de receitas a longo prazo.
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