Vendas de máquinas acumulam queda de 13,4% no ano até setembro

Alta de juros no mercado interno e concorrência dos importados, principalmente da China, pesaram no desempenho do setor de máquinas e equipamentos no acumulado do ano até setembro. Ao mesmo tempo que o mercado encolhe com menos investimentos em bens de capital pela indústria nacional, cresce a presença dos importados. O setor de bens de capital mecânico acumula queda de 13,4% no faturamento entre janeiro e setembro deste ano. Segundo números divulgados na tarde desta quarta-feira (28) pela Abimaq, associação que representa os fabricantes de máquinas, nos nove primeiros meses do ano a receita líquida total do setor somou R$ 201,1 bilhões. Segundo a entidade, o resultado reflete tanto a queda no mercado interno, afetado pela taxa de juros ainda muito alta, como nas exportações. A receita líquida interna em nove meses ficou em R$ 148,7 bilhões, redução de 15,8% na comparação com o mesmo período de 2025. “A retração de 15,8% nas vendas internas demonstra represamento de decisões de investimentos por parte das empresas brasileiras, mas também a baixa competitividade diante do bem importado”, destacou a Abimaq em nota. As exportações cresceram 5,5% em dólar, somando US$ 10,15 bilhões. Em unidades, a expansão foi de 1,8%. Mas a Abimaq destacou que, apesar da alta em dólar, a valorização do real no período reduziu a receita em reais. Na comparação em reais, a receita com exportações cai 5,8%. Os Estados Unidos continuam como o principal destino do produto nacional, com participação de 25,4% do total e US$ 2,58 bilhões em receita. Na sequência aparece a Argentina (10,3%) e Singapura (7,7%). A Abimaq destaca ainda o Paraguai com alta de 16,8% no ano, somando US$ 543,4 milhões em compras de máquinas. O único segmento econômico da Abimaq que apresenta crescimento no ano é o de máquinas para infraestrutura e indústria de base. Os demais estão no vermelho. Concorrência chinesa O consumo aparente (soma da produção local com as importações descontando as exportações) acumula queda de 11,7% entre janeiro e setembro, com receita de R$ 284,1 bilhões. O indicador revela a redução do investimento total em máquinas e equipamentos no Brasil. As importações somaram US$ 25 bilhões até setembro, alta de 4,8% e forte participação dos produtos chineses. Com isso, o saldo da balança comercial do setor no ano até setembro é negativa em US$ 14,84 bilhões, crescimento de 4,3%. As máquinas e equipamentos importados já representam 47,6% do consumo aparente no período, contra 45,1% nos nove primeiros meses de 2025. No acumulado do ano, os chineses respondem por 36% do total importado, ante 32,1% no mesmo período de 2025. Em valores, a importação da China soma US$ 9,01 bilhões, alta de 17,7% em relação ao ano passado. A seguir aparecem Estados Unidos (14,6% de participação) e Alemanha (11,5%), ambos perderam espaço no mercado brasileiro para a China. Capacidade e pessoal O nível de utilização da capacidade instalada do setor ficou em 79,5% no fim de setembro, praticamente estável em relação a 2025. Já a carteira de pedidos subiu para 10,3 semanas de trabalho, alta de 16,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. O nível de emprego ficou estável no fim de setembro, com 426,1 mil pessoas contratadas, na comparação anual. No acumulado do ano, há uma pequena redução de 0,5% nas contratações do setor. hirenlathiya107/Pixabay

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