O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teme que a renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), possa gerar instabilidade ao país. Ele entregou o cargo após a quebra do ueno bank. Na avaliação feita por interlocutores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, perde um aliado na América Latina, mas isso não significa, necessariamente, a perda da força da extrema-direita na região. Até o momento, a gestão Lula não se manifestou publicamente sobre o assunto e ainda debate os possíveis impactos para o Brasil. A principal preocupação, por ora, é evitar que o episódio gere um quadro de instabilidade social. O vice-presidente, Pedro Alliana, é o sucessor previsto na Constituição. O governo brasileiro acredita que ele deve adotar uma política de continuidade ao trabalho de Peña, mas, apesar disso, vê que a direita sofreu uma derrota na região. O presidente do Paraguai é um aliado de Trump na América Latina e, com sua renúncia, a leitura de alguns auxiliares do Palácio do Planalto é que o quadro político na região não traz mais hegemonias claras. Mesmo assim, esses assessores ponderam que não é possível garantir que há um recuo do campo, inclusive por conta da eleição apertada no Brasil, no último dia 25, mas acreditam que mudanças podem acontecer ao longo dos próximos meses. A ideia é que o Brasil mantenha um pragmatismo na relação com o Paraguai e com o novo presidente do país. A leitura é que Lula não precisa ser alinhado ideologicamente ao líder, mas que focar em temas mais práticos, como o combate ao crime organizado, fará com que as relações se mantenham. Crise com ueno bank levou à renúncia Peña anunciou a renúncia após a perda de apoio de seu próprio partido, o Colorado, e a mobilização de parlamentares para abrir um processo de impeachment contra ele, após a quebra do ueno bank. Mesmo assim, porém, a Câmara do país decidiu prosseguir com a abertura do processo porque pode resultar ainda na perda da imunidade de Peña, dependendo da interpretação constitucional. O processo deve seguir para análise do Senado, que deve decidir sobre a destituição de Peña mediante o voto favorável de dois terços de seus integrantes. A quebra do ueno bank, o quinto maior banco do Paraguai, gerou uma grave crise no país que culminou com a renúncia do presidente Peña, nesta quinta-feira (5). Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai (BCP) decretou o fechamento do ueno, controlado pelo Grupo Vásquez, porque a instituição financeira apresentava índice de solvência inferior ao mínimo exigido de 50% — o indicador mede a capacidade de uma instituição financeira de honrar todas as suas dívidas e obrigações de longo prazo. A quebra do ueno, que afirmava ter mais de 60% dos adultos paraguaios entre seus clientes, deixou milhões de pessoas sem acesso a suas contas e provocou uma corrida a outros bancos. Peña manteve até o ano passado uma participação acionária na holding do ueno. Sob seu governo, o banco recebeu grandes volumes de recursos públicos.
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