Inadimplência nos bancos sobe, mas analistas explicam 45% da alta

Inadimplência nos bancos sobe, mas analistas explicam 45% da alta A inadimplência bancária aumentou no Brasil, mas quase metade da alta registrada desde o fim de 2024 tem uma explicação que vai além das dificuldades dos consumidores para pagar suas dívidas. Segundo análise do BTG Pactual, divulgada na terça-feira (27), mudanças nas regras contábeis dos bancos respondem por aproximadamente 45% do avanço do indicador até junho de 2026. O levantamento, baseado no Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, mostra que a taxa de inadimplência chegou a 4,87% em junho. Pelas regras anteriores, entretanto, o índice teria ficado em 4,09%. A diferença não elimina a piora efetiva dos pagamentos, mas indica que parte do aumento está relacionada à maneira como os empréstimos atrasados são registrados. A análise, assinada por Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, também chama atenção para o peso crescente das dívidas na renda dos brasileiros, especialmente entre os consumidores de menor renda. Por que a inadimplência aumentou nos bancos? Desde janeiro de 2025, a Resolução CMN nº 4.966 alterou os critérios utilizados pelas instituições financeiras para retirar empréstimos de difícil recuperação de seus balanços. Antes, os bancos seguiam um prazo determinado para reconhecer essas operações como prejuízo. Com a nova regra, os contratos podem permanecer contabilizados por mais tempo, enquanto houver expectativa razoável de recuperação dos valores. Na prática, isso faz com que empréstimos antigos e ainda não pagos continuem aparecendo nas estatísticas de inadimplência, mesmo sem um aumento equivalente de novos atrasos. Segundo os analistas, dos 1,76 ponto percentual de aumento registrado entre dezembro de 2024 e junho de 2026, aproximadamente 0,78 ponto percentual está associado à mudança contábil. A diferença restante, de cerca de 0,98 ponto percentual, mostra que também houve deterioração efetiva dos pagamentos. Ou seja, a alteração nas regras explica parte do avanço, mas não elimina os sinais de pressão sobre o mercado de crédito. Dívidas comprometem 42% da renda de brasileiros que ganham menos O segundo alerta do relatório está nas finanças pessoais. Entre os tomadores de crédito com renda de até dois salários mínimos, o comprometimento mensal com dívidas passou de 34,1% em dezembro de 2023 para 42% em junho de 2026. Nesse grupo, somente os pagamentos de cartão de crédito e empréstimos pessoais não consignados já absorvem 24,6% da renda, ante 17,1% no fim de 2023. O comprometimento médio individual dos tomadores de crédito também atingiu um patamar recorde, de 38,5%, segundo os dados analisados pelo BTG. O indicador considera as obrigações financeiras em relação à renda dos devedores e não deve ser confundido com a média de todas as famílias brasileiras. Para os analistas, a expansão do acesso ao crédito, inclusive por fintechs e plataformas digitais, ampliou as alternativas de financiamento, mas também trouxe novos desafios para o controle do endividamento. Juros, crédito e investimentos exigem decisões bem informadas. Na maior Black Friday da Suno, descubra como construir uma estratégia financeira de longo prazo. Live gratuita em 04/11, às 20h, com bônus exclusivos. Garanta sua vaga! Banco Central mantém atenção sobre o crédito Apesar da pressão sobre os consumidores, o Banco Central avalia que o sistema financeiro brasileiro permanece resiliente, com níveis adequados de capital e liquidez para enfrentar cenários adversos. A autoridade monetária também anunciou medidas voltadas à transparência na concessão de empréstimos e à redução de ofertas inadequadas a consumidores financeiramente vulneráveis. Na avaliação dos analistas do BTG, o cenário exige acompanhamento nos próximos trimestres, especialmente diante das condições mais restritivas de crédito e das perspectivas de desaceleração econômica em 2027. O levantamento revela, portanto, duas dimensões da inadimplência brasileira: enquanto a mudança contábil elevou o indicador divulgado pelos bancos, o aumento do comprometimento de renda mostra que as dificuldades financeiras dos consumidores continuam sendo um fator relevante para o mercado de crédito.

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