IGP-M acelera para 1,57% em setembro, pressionando juros e consumo

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou uma alta de 1,57% em setembro, revertendo a queda de 0,22% observada em agosto e superando a mediana das estimativas de mercado de 1,55%. Em 12 meses, o índice acumulou um aumento significativo de 3,34%, acelerando em comparação aos 2,82% de setembro de 2025. A aceleração do IGP-M, impulsionada principalmente pelos preços no atacado, sinaliza um recrudescimento das pressões inflacionárias na economia brasileira. Isso eleva a percepção de risco inflacionário, aumentando a probabilidade de o Banco Central do Brasil manter a Selic em patamares elevados por mais tempo ou até considerar elevações. A alta do IGP-M impacta diretamente o custo de aluguéis e contratos de serviços, pressionando o orçamento das famílias e empresas. Em períodos de repique inflacionário inesperado, como o observado no Brasil em meados de 2021, o Banco Central foi forçado a elevar a Selic de 2% para 13,75% em menos de dois anos para conter a alta de preços, impactando negativamente ações de crescimento. O próximo dado a monitorar é o IPCA e as comunicações do Banco Central sobre a trajetória da Selic. No médio prazo, se a inflação persistir acima das metas, o cenário para ativos de risco no Brasil pode se deteriorar, favorecendo a renda fixa e empresas com forte poder de precificação ou receitas dolarizadas.

Análise

Nas próximas 4-6 semanas, o mercado monitorará atentamente os dados do IPCA e as comunicações do Banco Central, especialmente após a próxima reunião do Copom. Se a inflação persistir, espera-se que a Selic se mantenha elevada em 12,50% ou até teste 12,75% no primeiro trimestre de 2027, mantendo a pressão sobre ativos de risco e favorecendo a renda fixa indexada. Um IPCA abaixo do esperado seria o gatilho para revisitar a tese de cortes de juros.

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