O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou em outubro um relatório que aponta para a insuficiência dos compromissos climáticos globais. Com base nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) em vigor, o Pnuma projeta um aquecimento global de 2,8°C até 2100, ou de 2,6°C se os países cumprirem integralmente suas obrigações. Para limitar o aquecimento a 1,7°C a 1,8°C até 2050, seriam necessários cortes de 18% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, em relação aos níveis de 2025. Contudo, as NDCs atuais resultariam em cortes de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035. Simultaneamente, o boletim anual da Organização Meteorológica Mundial (WMO), de 27 de outubro, revelou que as emissões globais de GEE atingiram 58,4 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) em 2025, mantendo-se estáveis em relação a 2024. As emissões de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis, óxido nitroso (N2O) e gases fluorados (gases F) continuaram a aumentar. A concentração média global de CO2 na atmosfera atingiu um novo recorde de 426,8 partes por milhão (ppm) em 2025, cerca de 153% do nível pré-industrial, com expectativa de aumento ainda maior devido ao El Niño. No cenário de ações nacionais, o Brasil registrou as menores emissões brutas de GEE em 2025 (2,06 GtCO2e), uma queda de mais de 6% no ano, o melhor resultado desde 2018, em grande parte devido à redução do desmatamento. Por outro lado, os Estados Unidos, segundo maiores emissores globais, recuam de seus compromissos ambientais sob o governo Donald Trump.
A trajetória do aquecimento global dependerá da capacidade dos governos de alinhar seus compromissos com as metas científicas e de implementar políticas eficazes para reduzir as emissões de GEE. A próxima Conferência das Partes (COP) da UNFCCC e as decisões políticas em grandes economias, como os EUA e a China, serão cruciais para determinar a resposta global à emergência climática. O impacto do El Niño excepcionalmente forte na capacidade de absorção de carbono também definirá o aumento das concentrações de CO2 "neste ano", conforme a WMO.
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