O governo brasileiro planeja obter R$ 41,9 bilhões com o Imposto Seletivo em 2027, como parte da reforma tributária. Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX, e outros analistas indicam que a condução da política econômica sinaliza um ajuste fiscal predominantemente pelo lado da receita, com poucas medidas concretas de contenção de gastos. A alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), aceita pelo Tribunal de Contas da União (TCU), foi de 11,3%, cerca de dois pontos percentuais acima do previsto, e deve ser cobrada a partir de 1º de janeiro, substituindo PIS e Cofins. Economistas alertam que essa abordagem pode levar a maior inflação, menor PIB potencial e consequentemente maior dívida. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou a possibilidade de adiamento da reforma em janeiro de 2027, mas Barros aponta que a incerteza sobre a agenda econômica pode reduzir investimentos e contratações, mantendo os juros altos. O governo também enviará uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para garantir a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) até 2 de fevereiro, data em que o Imposto Seletivo começa a valer, cobrindo um mês sem receita. Gedeão Locks, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sugere que as alíquotas do Imposto Seletivo ainda precisariam ser maiores para desestimular o consumo de certos produtos.
O desfecho da política econômica brasileira será definido pela capacidade do governo de demonstrar um compromisso com o controle de gastos públicos e de implementar a reforma tributária de forma transparente. Acompanhar a tramitação da PEC sobre o IPI e os próximos comunicados do Ministério da Fazenda sobre a agenda fiscal, especialmente antes de 1º de janeiro de 2027, será crucial para avaliar a direção do ambiente de negócios e as expectativas de mercado.
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