O Ibovespa (IBOV) enfrenta o terceiro pregão consecutivo no pós-eleições presidenciais nesta quarta-feira (28), com a perda de mais de 5 mil pontos. Por volta de 11h40 (horário de Brasília), o principal índice da Bolsa brasileira, bateu a mínima intradia com recuo de 3,08%, aos 170.297,16 pontos, em meio à incertezas fiscais com o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no último domingo (25). Na semana, o saldo negativo já é de cerca de 17%. No pregão de hoje, os investidores repercutem notícias de tributação dos títulos isentos: LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, que não têm cobrança de imposto de renda para a pessoa física. Segundo o jornal O Globo, a equipe econômica do governo Lula estuda criar uma cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para esses papéis de renda fixa. Fernando Saad, estrategista global da Avenue, também destaca falas recentes do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, como uma fator de pressão negativa. Ontem (27), o ministro afirmou que um ajuste fiscal não é prioridade para governo neste ano. “Esse assunto não foi discutido, e nem está sendo discutido, muito menos aqui na bancada. Essas matérias, para votar até 20 de dezembro, se nós votarmos essas três grandes pautas, já nos daremos por satisfeitos”, afirmou o ministro em coletiva de imprensa, fazendo referência à PEC da Segurança Pública, a MP das bets e a PEC da tarifa zero no transporte público. Saad lembra que, nos últimos meses, os investidores têm aguardado possíveis anúncios e medidas que indiquem um compromisso maior do governo com o equilíbrio das contas públicas. “Existe a expectativa de que algum ajuste seja apresentado nos próximos meses”, afirma o estrategista global da Avenue. “O governo Lula trata-se de um governo que tende a priorizar políticas de distribuição de renda e medidas de caráter mais expansionista. Portanto, talvez, o mercado esteja esperando algo que o próprio governo já sinalizou que não será uma prioridade, pelo menos neste primeiro momento”, acrescenta. Também entra na conta o receio de atrito econômico e político entre Brasil e Estados Unidos após a fuga de Flávio Bolsonaro (PL), ex-candidato à Presidência, para o território norte-americano. No mercado de câmbio, o dólar opera em alta ante o real, em sintonia com o exterior. Além da incerteza fiscal, o mercado aguarda uma nova decisão de política monetária do Banco Central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed). Por volta de 12h30 (horário de Brasília), dólar à vista operava a R$ 5,3791 (+0,53%).
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