O Brasil tem mais de 100 milhões de torcedores de futebol e direitos de transmissão que geram aproximadamente US$ 600 milhões por ano. Porém, a participação de receitas internacionais no futebol brasileiro está próxima de 1%, ao passo que em ligas globais essa fatia pode chegar a 50%. Dados como esses mostram o potencial do mercado de esporte, mídia e entretenimento (SM&E) e explicam por que fundos de private equity, investidores estratégicos e bancos estão olhando para esse setor como uma nova fronteira de alocação de capital no país. “O país tem audiência, talento e propriedade intelectual em escala. O desafio é transformar atenção em receitas recorrentes e valor econômico”, pontua Eduardo Libano, superintendente de negócios tech, esportes, mídia & entretenimento do Itaú BBA. A expansão dos investimentos acompanha a transformação de negócios antes concentrados na audiência, venda de ingressos, patrocínios e direitos de transmissão. A digitalização abriu novos canais de distribuição e ampliou as possibilidades de conhecer e segmentar a audiência, criar produtos e explorar diferentes fontes de receita. Clubes, atletas, artistas, produtoras e empresas de mídia passaram a buscar novas formas de monetizar conteúdos, marcas e propriedades intelectuais, aproximando esses segmentos de outras indústrias relevantesda economia. Para Guilherme Ávila, head de esportes, mídia e entretenimento do Itaú BBA, o aumento do interesse de investidores institucionais é um dos sinais mais claros do amadurecimento do setor. “Nos últimos anos, vimos dezenas de fundos de private equity e investidores estratégicos desenvolverem teses específicas para essa indústria.” Nesse sentido, a consolidação do segmento como uma nova frente crescente de alocação de capital pede novas estruturas financeiras capazes de atender às particularidades dos negócios. “O mercado está mais sofisticado financeiramente, próximo a outros setores importantes da economia, então nós acompanhamos essa transformação e verticalizamos a proposta de valor para atender nossos clientes”, afirma Libano. Guilherme Ávila, head de esportes, mídia e entretenimento do Itaú BBA Divulgação O banco estruturou uma atuação dedicada ao segmento que combina conhecimento dos modelos de negócio de esporte, mídia e entretenimento com a capacidade de coordenar diferentes soluções financeiras. A análise considera as fontes de receita, os riscos, os fluxos de caixa e as necessidades de capital de cada empresa para definir a estrutura mais adequada, seja em operações de crédito, mercado de capitais, assessoria financeira ou outras frentes de atuação. A experiência no atendimento a empresas de tecnologia também contribui para compreender negócios em que dados, propriedade intelectual, distribuição digital e modelos de receita se combinam. A proposta é atender empresas e investidores considerando as particularidades de cada atividade e as oportunidades ao longo da cadeia. “Com profissionais especializados, conhecemos a fundo o segmento e adaptamos o atendimento com uma visão coordenada para suprir as demandas desse novo ecossistema, apoiando as decisões ao longo da jornada dos clientes”, diz Fábio Villa, diretor comercial do Itaú BBA, responsável por middle market, corporate Banking, multinacionais e tech companies. SM&E em expansão Divulgação ESTÃO E MONETIZAÇÃO NO CENTRO Para Ávila, a qualidade da gestão é decisiva para determinar o potencial de retorno de um ativo. Ele cita como exemplo uma propriedade intelectual de grande alcance, cujo potencial de geração de valor pode variar significativamente dependendo da forma como é operada e monetizada. A mesma lógica se aplica a marcas, conteúdos, clubes e competições esportivas. “Um bom ativo só entrega todo o seu potencial quando está nas mãos de um operador capaz de monetizá-lo”, afirma Ávila. Na prática, isso exige montar equipes, estruturar empresas e desenvolver áreas comerciais capazes de transformar audiência e engajamento em receitas recorrentes. A qualidade da gestão também influencia a análise de risco de bancos e investidores e, consequentemente, as condições de acesso a crédito e capital. A tecnologia ajuda a ampliar as ferramentas disponíveis para explorar o potencial desses ativos. Dados de audiência e comportamento ajudam a identificar interesses, segmentar públicos e desenvolver ofertas comerciais mais precisas. Já os canais digitais criam novas possibilidades de distribuição de conteúdo e relacionamento, que podem se traduzir em receitas. Villa ressalta que o setor atravessa uma etapa de amadurecimento que, embora já movimente cifras relevantes, ainda depende da especialização de agentes responsáveis por distribuir conteúdo, negociar direitos e comercializar a imagem de atletas e artistas. Fábio Villa, diretor comercial do Itaú BBA, responsável por middle market, corporate banking, multinacionais e tech companies Divulgação A profissionalização também ajuda a explicar o interesse pelas sociedades anônimas (SAFs), como vem acontecendo principalmente no futebol, com a entrada de investidores na estrutura societária dos clubes. Além de contribuir para a reorganização financeira e administrativa de empresas em dificuldades, o modelo pode atrair capital e elevar os padrões de governança, embora não garanta, por si só, a sustentabilidade dos negócios. Libano reforça que a tese também tem grande potencial para mídia, entretenimento, eventos, artistas, creators, conteúdo e empresas de tecnologia que atendem o ecossistema. “Mais do que a tese, procuramos olhar como a economia da atenção pode ser monetizada”, diz Libano. E Villa acrescenta: “Essa indústria está evoluindo, mas já tem um tamanho relevante e um potencial exponencial”. FORÇA DO ECOSSISTEMA Na visão dos especialistas, a integração entre esporte, mídia e entretenimento amplia as formas de capturar valor, que passam a depender da articulação de diversos agentes e da capacidade de desenvolver oportunidades de negócio em conjunto. É o caso de eventos que reúnem empresas responsáveis pela competição, apresentação ou transmissão, produtoras de shows e companhias encarregadas de ativações comerciaispor exemplo. Eduardo Libano, superintendente de negócios tech, esportes, mídia & entretenimento do Itaú BBA Divulgação Essa interdependência, contudo, torna a análise financeira mais complexa. Em vez de avaliar apenas o balanço de uma companhia, investidores e credores devem compreender como ela se insere na cadeia de negócios, de onde vêm suas receitas, quais são seus compromissos e como transforma audiência em resultado financeiro. “Mais do que olhar uma empresa isoladamente, precisamos entender quem detém a audiência e a propriedade intelectual, como ocorre a distribuição, onde está a monetização e como os diferentes agentes se conectam. O diferencial do Itaú BBA é o preparo para entender cada perfil com profundidade”,afirma Libano
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