Em Buenos Aires, a fábrica familiar Eseka, que produz quase 3 milhões de peças por mês para as marcas Cocot e Dufour, tem parte de sua linha parada. Desde a posse do presidente Javier Milei, há quase três anos, as vendas da empresa caíram cerca de 40%, reflexo da fraca demanda interna e da concorrência de importações mais baratas após a suspensão de restrições comerciais. Ricardo Kuchikian, dono da Eseka, relatou prejuízos no último ano e a redução de cerca de 30% da força de trabalho, com mais da metade das máquinas de malharia circular inoperantes. Economistas apontam que a economia argentina entrou em recessão no 3º trimestre, com o PIB recuando 0,6% no 2º trimestre e projeção de nova contração de 1,5% no terceiro, conforme Ricardo Delgado da Analytica. Dados de consumo mostram queda de 2,7% nos primeiros nove meses de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da redução da inflação de 200% para 30%, a pobreza aumentou para quase um terço da população. A aprovação de Milei caiu para 36% e a desaprovação subiu para 56% em outubro, segundo Giacobbe y Asociados. Setores de energia, mineração e agricultura mostraram desempenho positivo, mas os segmentos têxtil, automotivo, varejista e de construção permanecem pressionados.
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