Lori Calvasina, head de pesquisa de estratégia de ações nos EUA na RBC Capital Markets, afirma que os resultados corporativos robustos nos Estados Unidos servem de suporte para o mercado de ações frente à perspectiva de elevação das taxas de juros pelo Federal Reserve. A força dos lucros atua como um contrapeso ao custo crescente do capital, pois empresas com balanços saudáveis e crescimento de receita podem absorver juros mais altos sem comprometer valuations significativamente. Esta dinâmica beneficia empresas com forte geração de caixa como Microsoft e Apple, mas pressiona setores mais sensíveis à dívida e ao crescimento futuro, como o varejo e a construção no Brasil. Um Fed mais hawkish fortalece o USD, gerando pressão de desvalorização sobre o BRL e potencialmente forçando o Banco Central do Brasil a manter a Selic elevada, impactando negativamente o IBOV e FIIs. O Smart Money pode estar buscando rotação para setores defensivos ou de valor e reavaliando o risco em growth stocks, enquanto aguarda clareza sobre o teto dos juros do Fed. No ciclo de aperto de 2018, o S&P 500 caiu 19.8% no Q4 após o quarto aumento de juros, indicando a sensibilidade do mercado a múltiplos hikes consecutivos. O próximo relatório de inflação (CPI) e a reunião do FOMC em julho de 2026 serão cruciais para definir o tom do Fed e o limite de resiliência do mercado. No médio prazo (6-12 meses), a sustentabilidade dos lucros corporativos será testada por juros elevados, podendo levar a uma correção se a economia desacelerar ou as margens apertarem.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado de ações dos EUA (SPY) deve se manter volátil, testando a resistência dos lucros corporativos frente à incerteza sobre a política do Fed. Um aumento de juros adicional do Fed em julho de 2026, se acompanhado de um tom muito hawkish, pode levar a uma correção de 5-7% no SPY, especialmente em setores de crescimento, enquanto a sustentação dos lucros pode limitar quedas mais acentuadas para os $700.
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