Dólar: coordenação cambial inviável apesar de riscos de alta

O ex-conselheiro sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI), Barry Eichengreen, afirmou que uma coordenação cambial global similar ao Acordo de Plaza é inviável atualmente, mesmo com o dólar correndo risco de valorização. A inviabilidade decorre da priorização de objetivos domésticos pelos bancos centrais e da persistência de políticas americanas erráticas, que impedem um alinhamento macroeconômico global necessário para tais intervenções. Isso implica pressão de valorização sobre o dólar e, consequentemente, depreciação de moedas de mercados emergentes como o BRL, além de impactar empresas exportadoras brasileiras como VALE3 e SUZB3 positivamente e importadoras como MGLU3 e LREN3 negativamente. Para o investidor brasileiro, a manutenção de um dólar forte pode levar a uma Selic mais elevada para conter pressões inflacionárias importadas e impactar negativamente o EWZ devido à fuga de capital para ativos em dólar. O Acordo de Plaza de 1985, que visava desvalorizar o dólar americano, foi uma intervenção rara e bem-sucedida, mas o cenário geopolítico e econômico atual carece da mesma convergência de interesses entre as principais economias. A próxima série de divulgações de dados de inflação e emprego nos EUA, bem como comunicados de política monetária do Fed, serão cruciais para determinar a trajetória de curto prazo do dólar. No médio prazo (6-12 meses), a transição para um sistema multipolar continuará lenta, com o dólar mantendo sua dominância devido à falta de alternativas viáveis e coordenação internacional.

Análise

Nas próximas 4-6 semanas, o dólar deve manter sua trajetória de valorização, com o DXY (101.29) potencialmente testando a resistência de 102.5. O principal gatilho para uma reversão seria uma mudança inesperada na retórica do Fed ou uma intervenção coordenada de múltiplos bancos centrais, o que a notícia indica ser improvável. O USDBRL ($5.1366) pode se aproximar de R$5.20-R$5.25, impactando diretamente os custos de importação e as receitas de exportação.

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