Raízen aprova reestruturação e credores miram conversão de dívida até dezembro

Com a aprovação pelos acionistas das medidas para implementar a recuperação extrajudicial da Raízen, credores esperam concluir a conversão de dívida em ações até 17 de dezembro, segundo fontes próximas às negociações. O objetivo é aproveitar ainda neste exercício os benefícios fiscais associados à operação, conforme apurou o Valor. Nesta sexta-feira (30), os acionistas da Raízen S.A. e da Raízen Energia aprovaram alterações estatutárias, medidas relativas ao capital social, a segregação dos negócios e a eleição dos respectivos novos conselhos de administração. A eficácia das eleições está condicionada à homologação do aumento de capital previsto no plano. Segundo fontes, o tratamento fiscal da conversão é um dos fatores que explicam o interesse dos credores em concluir a operação antes do encerramento do ano. A troca de parte dos créditos por participação acionária transformará esses investidores em sócios das companhias, com influência sobre a governança e os próximos passos da reestruturação. A proposta de capitalização prevê aporte de até R$ 3,5 bilhões pela Shell e de até R$ 500 milhões pela Aguassanta, caso participe da operação. Além da conversão de créditos, os demais acionistas poderão participar por meio do exercício do direito de preferência. O aumento de capital ainda será submetido ao conselho de administração. Rubens Ometto, controlador da Cosan, ainda não definiu se participará do aporte de R$ 500 milhões por meio da Aguassanta, segundo fontes próximas às discussões. A decisão também determinará se o empresário terá uma cadeira no conselho de administração, afirmam essas fontes. Após a homologação do aumento de capital, cada conselho terá sete membros titulares e sete suplentes. Samuel Aguirre foi indicado para presidir o colegiado da empresa responsável pelos negócios de distribuição de combustíveis e lubrificantes. Julio Cesar de Toledo Piza Neto foi indicado para a presidência do conselho da companhia de etanol, açúcar e bioenergia. As indicações deverão ser confirmadas pelos respectivos colegiados. Para comandar a operação de distribuição de combustíveis e lubrificantes, foi indicado Lorival Nogueira Luz Jr. Geovane Dilkin Consul foi indicado para liderar os negócios de etanol, açúcar e bioenergia. Ambos integram a atual administração da Raízen, e suas indicações também dependerão da confirmação dos novos conselhos após a posse. “A eleição dos novos conselheiros e a indicação antecipada dos líderes das futuras empresas segregadas trazem previsibilidade e garantem a continuidade da execução do nosso plano de transformação operacional e financeira”, afirma Nelson Gomes, presidente da Raízen S.A., em comunicado. Após a conclusão do plano e o cumprimento dos prazos e condições legais, os negócios serão segregados em duas companhias abertas, independentes e listadas, informou a Raízen. A atual administração permanece até o cumprimento das condições precedentes e a homologação do aumento de capital. “O trabalho realizado até aqui é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas, e também da disciplina no cumprimento de todos os compromissos assumidos ao longo do processo de reestruturação da companhia”, disse Gomes em nota enviada à imprensa. Raízen Victor Moriyama/Bloomberg

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