O chefe da montadora alemã Audi defendeu neste domingo o investimento de US$ 4 bilhões planejado pela empresa em uma nova fábrica nos Estados Unidos — um plano mencionado pelo presidente Donald Trump em meio à sua campanha para as eleições de meio de mandato de novembro. O CEO da empresa, Gernot Doellner, esteve ao lado de Trump em um comício em Perry, perto de Macon, no centro da Geórgia, no sábado. Na ocasião, o presidente americano afirmou que a Audi — parte do Grupo Volkswagen — planeja construir uma fábrica de montagem na Geórgia, com capacidade para produzir 200 mil SUVs por ano. “Essa decisão foi precedida por muitos meses de planejamento cuidadoso e negociações intensas”, disse Doellner a repórteres no domingo. “Se o presidente americano o convida, você aceita o convite. É isso que o respeito pelo cargo e pelo país no qual investimos exige.” Para que o projeto avance, a decisão final sobre o investimento precisará ser aprovada pelo conselho fiscal da Volkswagen. A Geórgia vive disputas eleitorais acirradas para o Senado dos EUA e para o governo estadual; Trump busca argumentar que suas tarifas sobre o setor automotivo estão beneficiando a economia americana e impulsionando a manufatura no país. Na Alemanha, essas tarifas agravaram as pressões sobre a indústria europeia e aumentaram a tensão entre a administração da Volkswagen e os trabalhadores, que enfrentam cortes de empregos e o possível fechamento de fábricas. Segundo a Audi, as tarifas impostas por Trump sobre automóveis, aço, alumínio e peças custaram à empresa cerca de 1,2 bilhão de euros (US$ 1,4 bilhão) no ano passado, uma vez que todos os veículos destinados ao mercado americano são importados da Europa ou do México. Críticos das tarifas afirmam que elas também têm sido prejudiciais nos EUA, onde elevaram os preços dos veículos e atrasaram investimentos de algumas montadoras. Um porta-voz do sindicato alemão IG Metall classificou a decisão de Doellner de se aproximar de Trump durante o período eleitoral como “difícil de entender”. “Trump sempre deixou claro o que pretende: ele quer enfraquecer nossa economia interna, especialmente o setor automotivo”, afirmou o porta-voz. Christiane Benner, líder do sindicato IG Metall e vice-presidente do conselho fiscal da Volkswagen, declarou que é “correto e necessário” fortalecer a posição da empresa no mercado americano por meio de uma nova fábrica. “No entanto, perspectivas sólidas para os trabalhadores em todas as unidades, particularmente para aqueles aqui na Alemanha, precisam ser claramente definidas e estabelecidas”, disse ela. Doellner não quis fornecer detalhes completos sobre o acordo de investimento com os EUA, incluindo se ele envolve isenções tarifárias para a empresa. Olaf Lies, chefe do governo do estado alemão da Baixa Saxônia — o segundo maior acionista da Volkswagen —, afirmou que a expansão da produção nos EUA representa uma oportunidade, desde que os trabalhadores alemães também sejam beneficiados. “O crescimento nos Estados Unidos deve garantir empregos e a criação de valor aqui, e não deslocá-los para lá”, disse ele. A Audi informou que o investimento criará aproximadamente 4.500 empregos. A construção está prevista para começar no próximo ano, com o início da produção programado para o início da década de 2030, segundo a empresa. A fábrica deverá montar os SUVs Audi Q7, Q8 e Q9, revelou uma autoridade americana à Reuters. A Audi também planeja fabricar 25.000 veículos por ano no estado vizinho da Carolina do Sul. Alguns desses veículos, atualmente produzidos na Europa, seriam exportados, completou a fonte. Reprodução / Instagram
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