Em bloco da ‘desculpa’, Lula e Flávio Bolsonaro duelam sobre dívida pública, juros e SUS; candidatos divergem sobre pape

O segundo bloco do debate presidencial da TV Globo desta sexta-feira (23) foi marcado por um confronto direto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) sobre dívida pública, taxa de juros e os rumos do Sistema Único de Saúde (SUS). Um dos momentos marcantes foi quando Flávio Bolsonaro pediu desculpas a Lula por chamá-lo de 9 dedos. Ao abordar o tema dívida pública, Flávio afirmou que o governo deixará uma dívida de R$ 11 trilhões e associou o aumento do endividamento público ao crescimento da inadimplência das famílias brasileiras. “O atual governo está deixando uma dívida para o trabalhador pagar”, afirmou o candidato do PL, que também responsabilizou o aumento dos gastos públicos pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. Lula evitou responder diretamente à crítica inicial e devolveu o ataque ao questionar a criação da autonomia do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro. Segundo Flávio, a independência da autoridade monetária foi necessária para impedir interferências políticas na condução da política de juros e garantir estabilidade econômica. O senador ainda argumentou que uma eventual vitória sua já estaria contribuindo para a redução dos juros futuros precificados pelo mercado. O candidato do PL voltou a prometer um programa de refinanciamento de dívidas para famílias e empresas, com a compra de débitos bancários por meio de instituições públicas, como Caixa Econômica Federal e o chamado Banco da Prosperidade, proposta que tem sido uma das principais bandeiras de sua campanha. Lula, por sua vez, afirmou que programas semelhantes já foram implementados por seu governo e defendeu que a redução da dívida pública passa pelo crescimento da economia. “O PIB crescendo, a relação dívida/PIB diminui”, afirmou o presidente, ao defender investimentos públicos, expansão do crédito e aumento da atividade econômica como caminhos para melhorar as contas do país. O petista também voltou a criticar o que chamou de discurso permanente em favor de cortes de gastos, argumentando que políticas de austeridade podem comprometer o crescimento econômico. SUS vira novo foco de embate Na sequência, Lula escolheu o tema saúde e questionou Flávio sobre declarações de integrantes de sua equipe econômica que defendem uma revisão dos gastos públicos. O presidente perguntou como o adversário pretende melhorar o sistema de saúde enquanto fala em promover um “tesouraço” nas despesas do governo. Em resposta, Flávio negou qualquer intenção de reduzir investimentos no SUS e afirmou que os cortes ocorreriam sobre corrupção, burocracia e aumento de impostos. “O SUS é um orgulho nacional”, disse. O candidato do PL, no entanto, criticou a gestão da saúde pública e citou filas para consultas, cirurgias e tratamentos especializados. Segundo ele, a rede enfrenta problemas de eficiência e falta de recursos em áreas prioritárias. Flávio também prometeu ampliar investimentos no Instituto Nacional de Câncer (Inca), renegociar dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela de procedimentos do SUS, argumentando que os valores pagos atualmente estariam defasados. Além disso, afirmou que pretende replicar nacionalmente mecanismos adotados pelo governo de São Paulo, como a Tabela SUS Paulista, para incentivar hospitais e profissionais de saúde. Lula aproveitou a réplica para defender o SUS e associar as mortes provocadas pela pandemia de Covid-19 à condução do governo Jair Bolsonaro. O petista acusou a administração anterior de ignorar recomendações científicas e de retardar medidas de enfrentamento à crise sanitária. “O SUS evitou uma tragédia ainda maior”, afirmou. O presidente também cobrou explicações sobre declarações de aliados de Flávio a respeito da contenção de despesas públicas e voltou a questionar de onde viriam os recursos para manter e ampliar os serviços de saúde. Na tréplica, o senador reafirmou que manterá os investimentos no SUS, prometeu fortalecer hospitais filantrópicos e ampliar o acesso a tratamentos especializados. O embate encerrou o segundo bloco do debate, consolidando dois discursos distintos para a economia e a saúde pública: enquanto Lula defendeu crescimento econômico, expansão do crédito e fortalecimento dos serviços públicos, Flávio apostou em ajuste fiscal, redução dos juros e reformas na gestão do sistema de saúde.

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