Vivek Paul, líder global de pesquisa de portfólio da BlackRock International, argumentou que a alta nos rendimentos dos títulos não é inerentemente prejudicial aos mercados. A tese da BlackRock postula que juros crescentes, quando resultantes de expectativas de maior crescimento econômico e avanços tecnológicos (como a "onda da IA"), sinalizam um ambiente favorável para o lucro corporativo, mitigando o efeito negativo do custo do capital. No Brasil, a percepção de um cenário global de crescimento pode influenciar o fluxo de capital estrangeiro, impactando ativos como o IBOV (BOVA11) e empresas brasileiras de tecnologia como TOTS3, embora a taxa Selic e o risco local permaneçam fatores dominantes. Historicamente, períodos de alta de juros acompanhados de forte crescimento do PIB, como nos EUA nos anos 1990, permitiram que o mercado de ações continuasse a se valorizar, apesar do aumento do custo de capital. O próximo evento a monitorar é a decisão de juros do FOMC em 4 de novembro de 2026, que pode esclarecer os drivers dos rendimentos. O desfecho dependerá se a alta dos juros é predominantemente inflacionária ou um reflexo genuíno de expectativas de crescimento sustentável.
A divulgação dos dados de inflação e PIB nos EUA no próximo trimestre, juntamente com as comunicações do FOMC após a decisão de juros de 4 de novembro de 2026, definirá se os rendimentos crescentes são um sinal de força econômica ou de pressões inflacionárias persistentes.
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