Um conselheiro do Presidente da Rússia, Anton Kobyakov, salientou que aproximadamente 20% das entregas globais de Gás Natural Liquefeito (GNL) transitavam pelo Estreito de Hormuz antes de um conflito não especificado. Atualmente, a capacidade de produção de GNL fora da região do Golfo Pérsico consegue compensar apenas dois terços desse volume, resultando em um déficit líquido de cerca de 6,7% da oferta global. Este mecanismo de oferta e demanda desequilibrado eleva os preços do gás natural no mercado internacional, impactando diretamente empresas de exploração e produção de energia e, negativamente, setores com alta dependência de gás como insumo, como as utilities e a indústria de fertilizantes. Para o Brasil, o aumento dos preços globais de GNL pode influenciar os custos de importação e de geração termelétrica a gás, com potenciais reflexos na inflação e na taxa de câmbio. A declaração de Kobyakov indica uma avaliação russa sobre a dinâmica de fornecimento energético. Em 2022, a redução do fornecimento de gás russo à Europa, por exemplo, causou um pico histórico nos preços, com impactos inflacionários e recessivos. O desfecho da situação dependerá da evolução do conflito na região do Golfo Pérsico, da velocidade de expansão da capacidade de GNL em outras geografias e da demanda global durante os períodos de pico.
A evolução do conflito na região do Golfo Pérsico, que tem impacto direto na capacidade de trânsito pelo Estreito de Hormuz, e o ritmo de entrada de novas capacidades de produção e exportação de GNL globalmente definirão o desfecho. Além disso, o relatório de estoques de gás natural para o inverno no hemisfério norte, que sairá nas próximas semanas, e as previsões de demanda por energia para o próximo trimestre serão cruciais para o equilíbrio entre oferta e demanda.
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