Chuvas acima da média em junho no Brasil estão prejudicando a colheita de café arábica, conforme relatório do Cepea, impactando diretamente a secagem dos grãos e reduzindo a qualidade dos lotes, além de poder antecipar floradas. A redução da oferta de café de alta qualidade e o aumento dos custos de processamento, devido à umidade excessiva, elevam a pressão altista sobre os preços globais do café. Isso beneficia diretamente os contratos futuros de café (KC=F) e ETFs como JO, enquanto prejudica empresas com alta dependência de café como insumo, como SBUX e Nestlé. No Brasil, a depreciação da qualidade da safra pode afetar exportadores e, indiretamente, o poder de compra do consumidor através de cadeias de varejo como PCAR3. Em 2014, uma seca severa no Brasil elevou os preços do café arábica em mais de 50% em poucos meses, demonstrando a sensibilidade do mercado a choques de oferta climáticos. O próximo gatilho será o monitoramento das condições climáticas para as próximas floradas e relatórios de safra de julho/agosto do Cepea e USDA. No médio prazo (3-6 meses), a persistência de anomalias climáticas pode consolidar um ciclo de alta para os preços do café, com riscos de volatilidade exacerbada se a qualidade continuar a deteriorar.
Nos próximos 2-4 meses, espera-se que os preços do café arábica (KC=F, atualmente ~$1.80/lb) continuem sob pressão altista, podendo atingir $2.00/lb se a deterioração da qualidade e os problemas na colheita persistirem. O principal gatilho para uma reversão ou aceleração será a divulgação dos próximos relatórios de safra do Cepea e USDA, focando nas condições das floradas e nos estoques globais.
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