O Congresso Nacional modificou a lei complementar que visava subsidiar a redução do impacto da alta dos combustíveis, resultado da guerra entre EUA e Irã, e aprovou uma nova série de benefícios fiscais. Essas medidas contrariam a Lei Complementar 224/2025, que proibia novos incentivos fiscais acima de 2% do PIB, enquanto os atuais já consomem perto de 5% do PIB. Adicionalmente, mais despesas foram excluídas da meta de resultado primário, indicando uma deterioração da disciplina fiscal. Este cenário de descontrole fiscal tende a aumentar o prêmio de risco da dívida pública brasileira, pressionando a taxa de juros Selic e desvalorizando o Real. Historicamente, períodos de fragilidade fiscal, como a crise de 2014-2016, resultaram em recessão e elevação da dívida pública, com o Ibovespa caindo ~30% e o USDBRL subindo ~50% naquele período. O principal gatilho a monitorar nas próximas semanas será a resposta da equipe econômica e a busca por novas âncoras fiscais para tentar conter a percepção de risco. No médio prazo (6-12 meses), a persistência da bagunça fiscal pode levar a um ciclo de inflação mais alta e juros elevados, comprometendo o crescimento econômico.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se uma pressão contínua sobre o Real e as taxas de juros futuras, com o USDBRL podendo testar R$5.30-5.40 se não houver sinalização de controle fiscal. No médio prazo (3-6 meses), a ausência de uma nova âncora fiscal ou a persistência de gastos excessivos pode levar a um cenário de juros estruturalmente mais altos, prejudicando o crescimento e a avaliação das empresas domésticas. Os principais gatilhos serão as discussões sobre o orçamento de 2027 e a capacidade da equipe econômica de articular uma resposta coerente.
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