O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Otto Lobo, afirmou na sexta-feira (23) que a tokenização representa o único caminho para fiscalizar o mercado de capitais brasileiro. Durante discurso no IV Congresso de Direito de Fundos de Investimento, em São Paulo, o executivo defendeu uma nova infraestrutura tecnológica para acompanhar a expansão do setor. Realizado na sede da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) na quinta-feira (22) e na sexta-feira (23), o encontro reuniu a cúpula da autarquia federal. Pela avaliação do dirigente na abertura do segundo dia de debates, o crescimento e a sofisticação das carteiras exigem ferramentas modernas de monitoramento. Segundo o modelo proposto pelo chefe do órgão regulador, a supervisão eficiente depende da criação de um grande repositório de dados em nuvem, estrutura conhecida como data lake. A partir dessa base digitalizada e tokenizada, o sistema utilizará recursos de inteligência artificial (IA) para processar o volume de informações coletadas. “Todos esses fundos são motores do desenvolvimento do país. O mercado cresceu muito, se sofisticou, e a única forma de supervisionar o mercado é através da sua tokenização, com uma nova infraestrutura, em que se cria um depositário de dados em nuvem, o ‘data lake’, e se utiliza de inteligência artificial para processar os dados coletados.” — Otto Lobo, presidente da CVM. Indústria nacional soma R$ 11,5 trilhões distribuídos em 34 mil fundos Para dimensionar o tamanho do desafio regulatório, Lobo lembrou que a autarquia completou cinquenta anos de existência diante de um ecossistema próximo de R$ 12 trilhões. Dados divulgados em setembro pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) apontam um patrimônio líquido exato de R$ 11,5 trilhões no segmento. Esse montante trilionário encontra-se espalhado por 34 mil fundos de investimento, que registraram captação líquida de R$ 251,7 bilhões no período. Na visão do presidente, tais cifras demonstram a confiança dos poupadores no trabalho diligente e transparente de administradores e gestores. A arquitetura atual acolhe desde opções tradicionais de renda fixa, ações, multimercados e câmbio até estruturas como fundos imobiliários (FIIs), de direitos creditórios (FIDCs), de participações (FIPs) e das cadeias agroindustriais (Fiagro). Muitos desses produtos funcionam como porta de entrada para a poupança das famílias e servem como instrumentos de liquidez para empresas brasileiras. “Esses números são importantes porque mostram confiança. O fundo de investimento é, antes de tudo, uma promessa.” — Otto Lobo, presidente da CVM. Diretores da autarquia debatem prevenção a ilícitos e riscos sistêmicos Além da palestra sobre a modernização tecnológica, o congresso contou com a presença de outros diretores e superintendentes da xerife do mercado de capitais. Na quinta-feira (22), o superintendente de Supervisão de Investidores Institucionais (SIN), Claudio Maes, discutiu a suficiência das regras atuais para impedir o uso de fundos em finalidades ilícitas. Em seguida, o superintendente de Securitização e Agronegócio (SSE), Bruno Gomes, participou de uma mesa voltada para a avaliação de ativos e riscos sistêmicos. O primeiro dia de apresentações terminou com a diretora Marina Copola em um painel sobre os desafios dos fundos listados em bolsa de valores. Já o encerramento das atividades na sexta-feira (23) teve a participação virtual do diretor João Accioly em um debate sobre os impactos de um julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Caso Infinity. Ao longo dos dois dias, os integrantes da CVM dividiram as bancadas com membros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), da B3, de bancos, do Ministério Público estadual e do Ministério Público Federal (MPF). Fonte: “Única forma de supervisionar o mercado é através da sua tokenização”, diz presidente da CVM no Brasil Veja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.
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