O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou nesta quinta-feira (29) que o Tesouro Nacional não vê, por enquanto, necessidade de novas intervenções no mercado de títulos públicos, após as operações extraordinárias realizadas no início da semana. Segundo ele, no entanto, o órgão segue monitorando o mercado e está pronto para voltar a atuar em caso de disfuncionalidade. “A gente segue em monitoramento constante. A cada turno a gente toma as nossas decisões, avalia mercado, conversa com participantes, avalia indicadores e toma a decisão. Por ora, não vimos necessidade adicional, mas estamos prontos para atuar a qualquer momento”, disse em coletiva do Relatório Mensal da Dívida (RMD). Na segunda (26) e na terça-feira (27), após a forte reação dos mercados ao resultado das eleições, o Tesouro cancelou os leilões tradicionais de títulos públicos e realizou leilões extraordinários de compra de papéis, mecanismo conhecido como recompra. Ao todo, o Tesouro recomprou cerca de R$ 31,6 bilhões nos dois dias. Segundo Dias, as medidas ajudaram a restabelecer as negociações entre os agentes. “Vimos uma melhora significativa no mercado, do ponto de vista de começar a ter negócio, os agentes começarem a ter compra e venda. Foi bastante positivo, dá essa liquidez, dá saída, o movimento de ‘stop loss’ para. Na terça-feira, a gente já percebeu melhora e aí não precisamos atuar mais”, disse. O coordenador ressaltou que as decisões são tomadas “turno a turno” e que o objetivo das intervenções não é determinar um patamar para as taxas de juros ou impedir o ajuste dos preços dos títulos após uma mudança nas expectativas dos investidores. “É deixar que o mercado encontre o próprio equilíbrio após uma revisão forte de expectativas e após os ajustes de carteira. Em nenhum momento é estabelecer nível de preço”, afirmou. Segundo Dias, a formação de preços precisa continuar ocorrendo de maneira dinâmica, inclusive para permitir que o Tesouro retome suas emissões normalmente. “A formação de preço é fundamental para que a gente possa voltar a emitir.” Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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