Após 4 meses de recuperação, fundos de crédito privado têm 2º pior resultado do ano

Os fundos de crédito privado voltaram a registrar saída líquida de recursos em outubro, interrompendo uma sequência de quatro meses de recuperação. Os resgates superaram as aplicações em R$ 10,9 bilhões, o segundo maior saldo negativo do ano, atrás apenas de maio, quando as retiradas líquidas somaram R$ 13,8 bilhões. Os dados constam de relatório da área de pesquisa do Banco ABC Brasil, divulgado na terça-feira (3). Apesar do resultado negativo de outubro, os fundos de crédito privado ainda acumulam captação líquida positiva de R$ 40,9 bilhões em 2026. O levantamento considera 1.792 fundos, com patrimônio líquido conjunto de R$ 2,66 trilhões. Os fundos de infraestrutura, que investem em debêntures incentivadas, também registraram saída de recursos em outubro, o sétimo mês consecutivo. Os resgates líquidos chegaram a R$ 5,1 bilhões, elevando para R$ 17,7 bilhões o saldo negativo acumulado no ano. Nesse segmento, a pesquisa acompanha 2.139 fundos, com patrimônio de R$ 312 bilhões, desconsiderando os fundos de tesouraria. A saída de recursos ocorreu em um mês marcado pela volatilidade no mercado de crédito privado, em meio às eleições. Segundo o relatório, os prêmios de risco das debêntures de infraestrutura chegaram a 0,73 ponto percentual em meados de outubro, o maior patamar desde fevereiro de 2024, mas recuaram para 0,47 ponto percentual após o segundo turno. O movimento de queda dos prêmios no fim do mês foi influenciado, segundo Odilon Costa, responsável pela área de pesquisa do ABC Brasil, pela necessidade de compra de títulos por fundos que precisavam ajustar suas carteiras aos limites de investimento. Ele avalia que o desempenho negativo dos fundos de infraestrutura em outubro poderá continuar afetando a captação em novembro. No mercado de debêntures remuneradas pelo CDI, os prêmios de risco tiveram alta de 0,14 ponto percentual ao longo de outubro. O relatório destaca que papéis de empresas como Hapvida, Qualicorp e Armac passaram a ser negociados com prêmios significativamente maiores. As novas emissões totalizaram R$ 44 bilhões no mês, abaixo de setembro (R$ 48,1 bilhões). Assim como nos meses anteriores, há uma concentração em crédito estruturado e Fiagros de grandes instituições financeiras. No mercado debêntures corporativas, corrigidas pelo CDI, o volume foi de R$ 15,5 bilhões, com 58% distribuído a mercado. Já o de incentivadas foi bem mais fraco, com R$ 2,6 bilhões emitidos e apenas 12% distribuídos a mercado. Os Fiagros “de papel” da amostra registraram resgate líquido de R$ 1,2 milhão em outubro, em amostra de 42 fundos, com patrimônio de R$ 15,8 bilhões. O relatório ressalta que os dados não consideram as ofertas encerradas dos Fiagros bancários do Itaú (R$ 3,3 bilhões) e da XP (R$ 5,3 bilhões), além das ofertas em andamento dos Fiagros bancários de Itaú (R$ 3 bilhões) e BTG (R$ 10 bilhões). Tomislav Jakupec/Pixabay

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