BTG (BPAC11) sofre corte de recomendação e preço-alvo pelo Itaú BBA

As ações do BTG Pactual (BPAC11) abriram em queda na sexta‑feira, 30 de outubro de 2026, após o Itaú BBA realizar um duplo corte nos papéis do banco. A corretora alterou a recomendação para Market Perform, equivalente a neutro, e reduziu o preço‑alvo das units para R$ 60, saindo de R$ 70. O potencial de alta, segundo o banco, permanece de pouco mais de 16% em relação à cotação atual. Por volta das 11h30 (horário de Brasília), os papéis caíam 4,48%, com a menor cotação registrada logo após a abertura do pregão, queda de 5,01%, a R$ 51,33. A semana também não foi favorável ao BTG, que já caiu mais de 34% desde o segundo turno da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da queda do Ibovespa, a ação subia mais de 50% no ano. Os analistas do Itaú BBA afirmam que a qualidade do banco não é questionada, mas o cenário para 2027 traz dificuldades para o crescimento dos negócios, tornando a relação risco‑retorno menos atraente. O banco permanece entre as instituições de maior qualidade entre as empresas financeiras brasileiras, com receitas diversificadas, ganhos de participação de mercado e rentabilidade próxima de 25%. O problema está no espaço para uma valorização adicional. Negociado a cerca de nove vezes o lucro estimado para 2027 e duas vezes seu valor patrimonial, o BTG já incorpora nos múltiplos boa parte da capacidade de sustentar seus resultados. O retorno esperado com dividendos é de aproximadamente 3% para o próximo ano. O BBA afirma que, olhando apenas para o preço, voltaria a ter uma visão mais favorável sobre os papéis entre R$ 45 e R$ 50, faixa equivalente a sete a oito vezes o lucro projetado. O cenário traçado considera atividade econômica e confiança para investir enfraquecidas, além de juros e inflação elevados por mais tempo, o que deve pesar sobre o volume de operações no mercado de capitais, a movimentação dos clientes e a expansão dos ativos sob gestão. Assim, a casa reduziu as estimativas de todas as linhas de receita do BTG para 2027, com os maiores cortes nas projeções para banco de investimento (12%), gestão de patrimônio (8%) e operações de mercado (7%). A previsão de receita total caiu 4,5%, para R$ 49 bilhões, e a estimativa de lucro foi reduzida em 5%, para R$ 23,2 bilhões, representando crescimento de 13% sobre 2026, uma desaceleração em relação ao avanço de 23% esperado para este ano. Além das projeções menores, o BBA passou a considerar um custo de capital próprio mais elevado, explicando a redução do preço‑alvo.

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