Crise bancária vira problema para Peña após bloqueio de depósitos no Paraguai

A crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, chegou às ruas de Assunção e ampliou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña. Centenas de correntistas e aposentados protestaram na terça-feira (3) para exigir a liberação de recursos bloqueados após a intervenção do Banco Central paraguaio. As manifestações ocorreram no centro da capital e nas proximidades da residência oficial do presidente. Segundo o jornal ABC Color, houve confrontos com policiais quando parte dos manifestantes tentou avançar em direção ao Congresso Nacional. Os protestos também tiveram como alvo a relação do governo com o Ueno, instituição controlada pelo Grupo Vázquez que recebeu um volume expressivo de depósitos públicos durante a gestão de Peña. Leia também Trump culpa governador do Texas por derrota no Estado e sinaliza veto a democratas “Vou me tornar um comentarista político, bom e ruim, sobre as razões que esses candidatos ganharam e perderam!”, disse Trump Presidente do BC do Paraguai renuncia após procedimento de resolução para banco local O caso está colocando à prova a reputação que ajudou o Paraguai a se tornar um dos destinos emergentes da América do Sul ⁠para ‌o capital estrangeiro Por que o banco entrou em crise? Na segunda-feira (2), o Banco Central do Paraguai decidiu iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank, após identificar problemas graves de capitalização. Segundo a autoridade monetária, o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação. A medida interrompeu as operações do banco e bloqueou temporariamente o acesso de clientes a contas e investimentos. O impacto é significativo. O Ueno tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes, segundo dados divulgados pela agência EFE, e havia se consolidado como uma das principais instituições financeiras digitais do país. A crise também provocou investigações sobre a administração do banco e suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo seus dirigentes. Relação com governo amplia desgaste de Peña O Ueno Bank cresceu rapidamente durante a Presidência de Santiago Peña, iniciada em 2023. Parte dessa expansão ocorreu com o aumento dos depósitos de instituições públicas. Os recursos governamentais mantidos no banco chegaram a aproximadamente 5 trilhões de guaranis, equivalentes a cerca de US$ 869 milhões, segundo os dados citados pelo ABC Color. Entre os valores afetados estão depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável por benefícios de aposentados e serviços de saúde. A relação entre o governo e a instituição passou a ser questionada pela oposição, que cobra explicações sobre a concentração de recursos públicos no banco. Peña também possui vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do Ueno, circunstância que ampliou o escrutínio político sobre a crise. Diante da repercussão, o presidente pediu a renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária. Crise pode ter consequências políticas O bloqueio dos depósitos provocou manifestações que ultrapassaram as reivindicações financeiras. Parte dos participantes pediu a responsabilização de dirigentes do banco e o impeachment de Santiago Peña. Segundo o ABC Color, manifestantes organizaram uma vigília diante do Congresso para exigir esclarecimentos e acompanhar as medidas de restituição dos recursos. Além da resposta aos correntistas, o governo enfrenta questionamentos sobre a fiscalização bancária e os critérios utilizados para direcionar dinheiro público ao Ueno. Para Peña, a pressão política está diretamente ligada ao destino dos recursos previdenciários e à necessidade de esclarecer a atuação dos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro. The post Crise bancária vira problema para Peña após bloqueio de depósitos no Paraguai appeared first on InfoMoney.

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