NY cai, Treasuries sobem após PCE acima do esperado

Os principais índices de ações de Nova York registraram quedas significativas nesta quarta-feira, impulsionados por um forte avanço nos rendimentos dos Treasuries. Essa movimentação ocorreu após a divulgação de um Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE) mais robusto que o projetado, indicando que a inflação permanece bem acima da meta de 2% do Federal Reserve. O mecanismo econômico é claro: um PCE elevado alimenta expectativas de inflação persistente e, consequentemente, de juros americanos mais altos por um período prolongado, penalizando as valuations de ações, em particular as de crescimento como as representadas pelo QQQ e empresas como a NVDA, enquanto os preços dos títulos de longo prazo (TLT) caem. Para o investidor brasileiro, o cenário implica uma possível valorização do dólar (USDBRL) e pressão sobre ativos de mercados emergentes (EWZ). Historicamente, em 2022, um cenário similar de inflação persistente e aperto monetário levou o S&P 500 a uma queda de 19.4% e o Nasdaq 100 a -33%. O próximo grande gatilho no cenário corporativo é a divulgação dos resultados da Nvidia, enquanto no macro os olhos se voltam para o payroll de setembro e a próxima reunião do FOMC, com um horizonte de médio prazo ditado pela persistência da inflação e a resposta do Fed.

Análise

Nas próximas 24-72 horas, o mercado deve permanecer sob pressão, com QQQ e SPY potencialmente recuando mais 0.5-1.5% antes dos earnings da Nvidia. Se os resultados da Nvidia forem fracos, a queda pode se aprofundar para 2-3%. No médio prazo (1-3 semanas), o foco será no payroll de 4 de setembro e nas sinalizações do Fed em sua reunião de 16 de setembro, que devem manter a pressão sobre ativos de risco se a inflação persistir e os juros não recuarem.

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