A balança comercial brasileira de automóveis registrou um déficit de US$ 5,53 bilhões no período de janeiro a setembro, o mais profundo para o período em toda a série histórica, representando um aumento de 835% em comparação com os US$ 591 milhões observados nos mesmos meses do ano passado. Este cenário, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reflete tanto o aumento das importações quanto a queda das exportações. As importações de veículos, puxadas por eletrificados chineses, atingiram US$ 9,42 bilhões, um crescimento de 76,7% em relação a 2025, enquanto as exportações caíram 18%, perdendo o fôlego da economia argentina em 2025. Os números preliminares de outubro indicam a continuidade dessa dinâmica, com importações de US$ 1,04 bilhão até a quarta semana, uma alta de 138% na média diária, e exportações de US$ 297,87 milhões, com queda de 11,1% na média diária contra igual período de 2025. José Augusto de Castro, presidente da AEB, avalia que essa tendência deve perdurar até o fim de 2026, com o desfecho futuro dependendo de fatores como a política comercial americana, citando a derrota do presidente Donald Trump nas eleições de meio de mandato, e medidas protecionistas globais. A China foi a origem de 66,5% dos automóveis importados pelo Brasil de janeiro a setembro, totalizando US$ 6,26 bilhões, mais que o dobro dos US$ 2,36 bilhões de 2025. A Argentina, historicamente o principal fornecedor, ficou em segundo lugar com 11,3%. A concorrência chinesa também afeta as exportações brasileiras para a Argentina, onde o desembarque de carros chineses triplicou para US$ 916,8 milhões, enquanto a importação de carros brasileiros caiu 30%, segundo dados do governo argentino.
O desfecho dependerá das decisões de política comercial dos Estados Unidos e de eventuais medidas tarifárias adotadas pelo Brasil ou por acordos multilaterais, com a próxima avaliação prevista para a reunião do Conselho de Política Comercial dos EUA em 15/12/2026.
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