Aproximação de Flávio Bolsonaro (PL) com figuras da ala mais radical da direita na reta final da campanha presidencial pode ter comprometido sua capacidade de liderar a oposição ao governo Lula (PT), segundo o cientista político Ivan Fernandes, professor de políticas públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC). Fernandes avaliou que Flávio teria condições de se consolidar como principal representante da direita depois de receber quase 60 milhões de votos, mesmo com a derrota no segundo turno, mas a decisão de deixar o Brasil acrescentou incertezas sobre seu futuro político e abriu espaço para outras lideranças. O senador entrou na Argentina usando o passaporte italiano e depois embarcou em avião que passou pelo Equador antes de chegar na Flórida, fato que, segundo o professor, dificultou a expansão de sua candidatura para além da base bolsonarista. Entre as 15 ações enfrentadas por Lula, 13 foram protocoladas pela equipe jurídica de Flávio, e a estratégia de dar maior espaço a aliados como Pablo Marçal, Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira representou uma mudança em relação à imagem de moderado que ele procurou construir. Fernandes argumenta que a aproximação com lideranças mais ideológicas reduziu o espaço para uma candidatura capaz de dialogar com diferentes setores da direita e pode ter sido um dos fatores que levaram à derrota eleitoral. A saída do Brasil alterou o cenário, levando Flávio a perder uma grande oportunidade de ser o líder da direita, que agora será disputado por herdeiros da família Bolsonaro ou por outros políticos da direita.
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