Presidente eleito enfrentará desafio de nova reforma da Previdência

O presidente eleito neste domingo, 25 de outubro de 2026, terá como um de seus principais desafios econômicos o debate sobre uma nova reforma da Previdência Social. As mudanças implementadas em 2019 foram corroídas por fatores como o envelhecimento populacional e a migração de trabalhadores para a informalidade, que recolocaram a pauta da sustentabilidade no centro do governo. O Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) estima que a despesa com a Previdência, atualmente em 8% do Produto Interno Bruto (PIB), pode atingir 17,4% até 2060 se o modelo atual for mantido. Fábio Zambitte, diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), explica que, ao analisar a Seguridade Social em seu conceito amplo, o resultado é positivo, mas ressalta que parte das contribuições é direcionada a outras áreas. Zambitte alerta que, apesar de a conta fechar no azul, isso durará pouco tempo, e que o sistema é atuarialmente deficitário devido às premissas originais de cálculo terem sido superadas pelo rápido envelhecimento. Leandro Ferreira, do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros, argumenta que o financiamento vem do orçamento público de forma ampla, não apenas da folha de pagamento, e que o foco em arrecadação-gasto ignora ganhos sociais. Por outro lado, Fabio Giambiagi, da FGV/Ibre, enfatiza que a regra de reajuste do salário mínimo, retomada em 2023 com aumentos reais, deslocou a trajetória de gastos para cima, tornando o modelo "matematicamente insustentável". Giambiagi sugere que as aposentadorias sejam corrigidas apenas pela inflação, alertando para uma possível "quebra do contrato social" em 20 ou 30 anos caso nada seja feito.

Análise

A decisão sobre o futuro do sistema previdenciário brasileiro dependerá das prioridades e da capacidade de articulação política do presidente eleito, bem como da evolução dos indicadores econômicos e demográficos. Acompanhar a formação da equipe econômica, as propostas legislativas apresentadas no início do mandato e a reação dos agentes do mercado será crucial para entender a direção da política fiscal. Eventos como a divulgação do PIB dos EUA em 29/10/2026 e o relatório de emprego dos EUA em 06/11/2026, embora externos, podem influenciar o ambiente macro global e a percepção de risco por investidores internacionais.

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